
Mesmo antes de se ver Need for Speed: O Filme, as comparações com Velocidade Furiosa são legítimas – desde a forma como foi apresentado, atá aos cartazes publicitários. Mais que isso, a questão da relevância também pode ser alvo de escrutínio (ao fim de mil e tal velocidades furiosas, criar um filme que fale sobre o mesmo é uma entrada a pés juntos). No entanto, no fim das duas horas de filme chega-se a uma conclusão: Need for Speed tem Swag (ainda que pouca gente saiba definir swag).
A história é do mais simples possível: Tobey (Aaron Paul) é um menino com talento, mas sem oportunidade, que vê o malvado Dino (Dominic Cooper) tramá-lo, colocando-o atrás das grades, por um crime que não cometeu. Depois temos tempo para uma loira bonita com sotaque inglês para “ornamentar” o filme, interpretada pela bela Imogen Poots, e uma equipa de especialistas em tunning, com destaque para a hilariante personagem de Scott Mescudi. Com um enredo tão previsível e básico era de expetar que isto fosse somente mais um filme, e é exatamente isso, mas com estilo.
A narrativa baseia-se na demanda pela vingança de Tobey e essa parte não ficará na memória, pois não acrescenta nada. Porém, o elenco funciona bem, conseguindo agarrar a audiência, tirando mesmo algumas gargalhadas. As interpretações, no geral, são competentes. Aliás, os nomes mencionados acima, e apesar de estereotipados, têm personagens relativamente bem conseguidas. Aqui, curiosamente, o elo mais fraco é Aaron Paul, que não parece encaixar.
Todavia, o ponto forte do filme, e talvez a única caraterística que rivaliza (e até certo ponto melhora, em relação a Velocidade Furiosa) são as coreografias das corridas. Aqui, ao contrário da outra franquia, (quase) todas as manobras feitas com os carros são realistas. Mais, Scott Waugh (que realiza o filme) tem a inteligência de perceber que a melhor banda sonora para uma corrida de automóveis é o barulho dos motores – nesse sentido, a banda sonora foi usada com mestria.
No final tem-se entretenimento q.b., com alguns bons momentos de comédia e bons carros. Certo é que a história é previsível e simples, mas também era exatamente isso que se esperaria. Desta forma, Need for Speed não quis ser mais do que entretenimento puro e duro e, apesar de não ser um Velocidade Furiosa, contem alguns momentos interessantes.
O melhor: As manobras dos automóveis, o barulho dos motores e a personagem de Scott Mescudi.
O pior: História demasiado simplista e redutora.

Nuno Miguel Pereira

