
Falar da insustentabilidade e irracionalidade das relações humanas é algo complexo, isto quando se prentende abordar o tema de uma forma menos superficial. Em Um Novo Fôlego a proposta é visitar algo que nos é apresentado como moralmente errado, mas que nos vai ganhando simpatia.
Drake Doremus – que em 2011 já tinha triunfado com Like Crazy no festival Sundance – rodeia-se daquilo que de melhor tinha o seu anterior filme: o seu co-argumentista Ben York Jones e a belissima atriz Felicity Jones. O resultado foi um filme menos indie, mas mais maduro, ainda que com um piscar de olho ao cinema comercial.
A história segue Sophie (Felicity Jones), uma bela e talentosa estudante estrangeira que chegando aos subúrbios de Nova York causou um grande impacto. Esse impacto foi principalmente sentido na família que a acolheu, os Reynolds, e em especial no “pai de família”, o músico (casado) Keith (Guy Pearce).
O destaque começa por ser a química intergeracional existente entre Felicity e Guy. São estes dois atores, à semelhança de Like Crazy (mas com o protagonista masculino diferente), sobre o qual a obra se debruça e se sustenta. Aliás, é inevitável fazer comparações entre estas duas obras, pois ambas pretendem mostrar, um pouco forçosamente, que o amor é quase sempre algo que acaba mal. Este excessivo dramatismo de telenovela mexicana é, felizmente, sublimado em ambas as obras, sendo que, apesar de em Um Novo Folego a construção da narrativa ser mais sóbria, Drake Doremus acaba sempre por tentar compelir a sua ideia em relação à temática.
O que está em grande plano é a maravilhosa banda sonora – da responsabilidade de Dustin O’Halloran – que, por vezes, parece um filme à parte do filme.
No final, temos uma obra muito sóbria, mais contida (felizmente) que outras anteriores do realizador, mas com algumas sequências da narrativa que não foram bem explicadas e que parecem ser forçadas, somente para passar uma ideia que o realizador tem sobre a inevitabilidade do sofrimento shakespeariano do amor.
O melhor: A Banda Sonora e a cumplicidade Guy Pearce Felicity Jones
O pior: A parte final do filme é algo forçada.

Nuno Miguel Pereira

