«Vampire Academy» (Academia de Vampiros) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Harry Potter, numa primeira instância, e a saga Crepúsculo, mais recentemente, conseguiram gerar milhões. Gostando-se, ou odiando-se, a verdade é que foram ambos “produtos” lançados num momento certo para um mercado certo. Aliás, a ajudar esse sucesso, estiveram os afamados livros de J. K. Rowling e de Stephanie Meyer, respetivamente. Procurar competir com isso, usando as mesmas armas, será uma batalha quase perdida à partida. Nesse sentido, Academia de Vampiros tenta agradar ao mesmo nicho de adolescentes que consumiram a saga Crepúsculo, pois os do Harry Potter já começam a ter filhos e a não ligar a estas coisas. Para isso, utilizou-se outro livro de vampiros de  Richelle Mead (com o mesmo nome do filme) e procurou-se recriar o misticismo e a magia do Harry Potter, metendo vampiros e abusando nas piadas ao Crepúsculo, que podem ofender os adolescente que gostaram dessa Saga.

A história foca-se numa princesa Moroi (uma espécie de vampiros bons), chamada Lissa (Lucy Fry), e na sua guardiã Rose (Zoey Ducth). Os vilões desta história são múltiplos, mas os mais ferozes serão um grupo de adolescentes disléxicos e os maléficos Strigoi (vampiros maus).

Mark Waters tem aqui a ideia algo psicadélica de criar uma história em tudo idêntica ao que já tinha feito em Giras e Terríveis, mas afiando os dentes de metade das personagens (metafórica e literalmente). Esta obra deambula muito entre o estapafúrdio e o hilariante, caindo na maioria das vezes no género “tão estapafúrdio que se torna hilariante“. À história profundamente banal e insossa, que nem os adolescentes mais lentos vão achar imprevisível, juntam-se numerosas pérolas no diálogo, que são tão parvas, quanto inesperadas.

Em relação às atrizes, há um grande e excessivo ênfase em Zoey Dutch, que apesar de carismática na vertente cómica, torna a história de vampiros cada vez menos sobre vampiros e cada vez mais sobre coscuvilhice de secundário.

A verdade é que a capacidade que o filme tem de gozar com tudo (inclusive consigo próprio) é a melhor qualidade que tem (talvez mesmo a única). No entanto, as gargalhadas que consegue arrancar em vários momentos, acabam por compensar, em parte, o facto de ser mal conseguido em termos de ação. Aparentemente, devido ao que o seu final deixa transparecer, haverá sequela que, à partida, será mais séria. Se assim acontecer, perder-se-á a única coisa que fez este filme resultar. Academia de Vampiros é o filme ideal para o adolescente cético, nada romântico, com muito sarcasmo e que partilhe do ódio pelo Crepúsculo.

O melhor: O filme é tão parvo, que acaba por ser surpreendentemente engraçado.
O pior: A história é banal e demasiado previsível e as cenas de ação presentes são de fraca qualidade.


Nuno Miguel Pereira

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