
Iain softley já tinha realizado K-Pax e o que esse filme mostrou foi a vontade do senhor em criar um ambiente de thriller psicológico, que vá dando “solavancos” e mantendo o interesse vivo, isso sem grandes preocupações em termos de substância. Esse seu método foi, mais uma vez, aplicado em Obsessão Ardente o, a priori, autointitulado thriller erótico.
Nesta obra seguimos Micky (Tuppence Middleton), recém acordada de um incêndio que quase a matou e a deixou amnésica. Entretanto, Micky sai do hospital e procura perceber o que se passou junto da sua precetora, Julia (Kerry Fox). Ao vasculhar o seu passado, encontra o diário de Do (Alexandra Roach), a sua amiga que terá morrido no incêndio, é nesse momento que se inicia uma caça, recheada de flashbacks, ao seu passado.
A narrativa vai-nos mostrando pedaços da história da vida de Micky e Do, sem que seja completamente percetível se a vemos ao mesmo tempo em que Micky se lembra dela, ou se simplesmente nos é lançada de para-quedas, por vezes parecem ser ambos os cenários.
Certo é que, inicialmente, a história apresenta um ritmo interessante (ainda que não inovador) e desperta alguma curiosidade em quem vê, apresentando algumas sequências, típicas de thriller, bem construídas. Depois perde-se: a narrativa torna-se difusa e progressivamente começa a perder o interesse. Felizmente, o final revela toda a potencialidade que a obra tinha, mas que quase nunca se concretizou. Os últimos e os primeiros 10 minutos de filme chegam para perceber tudo, os restantes 80 oscilam entre a pasmaceira e o irrelevante. Aqui o destaque negativo irá direitinho para Iain softley, que tornou uma boa história, numa narrativa insossa de domingo à tarde.
O que se destaca mais de Obsessão Ardente acaba por ser o trio de atrizes – Kerry Fox, Alexandra Roach e Tuppence Middleton – são elas que dão um pouco de empenho e qualidade, num filme que queria ser diferente e foi, mas a maioria das vezes para pior.
O melhor: O trio de atrizes protagonistas e os primeiros e últimos 10 minutos.
O pior: Andámos 80 minutos a ver flashbacks e a conhecer personagens irrelevantes.

Nuno Miguel Pereira

