
Num género tão explorado como o romance há que ter ambição e criatividade suficiente para não cair na habitual história já vista por todos. Este filme peca nesse aspeto e, infelizmente, carrega uma previsibilidade ao longo do mesmo ao invés de nos tentar oferecer algo novo.
O filme trata de um mulher que se quer casar com o seu namorado mas, visto que a sua família possui uma “maldição” em que os primeiros casamentos nunca dão bom resultado, pretende casar e divorciar-se primeiro com um estranho.
Tenta o riso fácil e o conforto final como todo o “feel-good movie” medíocre. É impossível não comparar até com “A proposta”; “Como perder um homem em 10 dias”, na medida em que o enredo consiste no amor improvável, não intencionado e não suposto de acontecer, no entanto inevitável.
Existem, porém, algumas (escassas) sequências agradáveis, entre as quais a do deserto (a mais bem conseguida tecnicamente, com os planos mais interessantes) e a da simulação espacial. Infelizmente, as boas sequências não ocupam o vazio do argumento e do próprio filme. Un plan parfait é contado, sem razão para tal, através de flashbacks, algo que só é justificado (de um modo ridículo) no final.
O elenco, é todo ele subaproveitado, Diane Kruger não está nada de especial como protagonista (e a sua personagem é detestável), revela-se mais um nome no cartaz para atrair audiência que outra coisa, e Dany Boon limita-se a representar a essência da sua personagem com algum overacting.
Não me vou prolongar muito mais porque o filme também não tem muito que se lhe diga, é de facto triste assistirmos a uma comédia francesa que se corrompe ao cinema comercial americano. Um Plano Perfeito tem uma falta de identidade preocupante, o que o torna extremamente esquecível num curto espaço de tempo. Ainda assim, é material de entretenimento que satisfaz minimamente o espectador que apenas procura distração e ver algo leve e fácil. Mas não passa disso.
O melhor: É capaz de nos fazer soltar um ou dois risos sinceros; tecnicamente está competente.
O pior: A previsibilidade; a sensação de déjà vu em todo o filme; a escassez de criatividade.

Miguel Pinto

