The Monument Men (no original) pega na história verídica de uma brigada, constituída durante a Segunda Guerra Mundial, com vista a evitar a pilhagem que o Terceiro Reich efectuou a todo o rico espólio artístico na Europa. Com o empenho dos Estado Unidos cria-se uma brigada internacional que é constituída por diretores de museus, escultores e outros intervenientes ligados ao mundo das artes em vez de militares de raiz. Estes irão aventurar-se no campo de batalha tentando a todo custo evitar que o património cultural da velha nação chegue ao projetado museu do Terceiro Reich.
Realizado por George Clooney, a evocar o tom dos filmes clássicos sob a segunda grande guerra, este é um exercício de estilo que aqui conta com um elenco cheio de estrelas – Bill Murray, John Goodman, Matt Damon, Jean Dujardin e Cate Blanchett, entre outros. As suas interpretações e a química entre alguns dos seus elementos oferecem-nos momentos fortes e, com este elenco, é notório o equilíbrio que se consegue entre momentos de tensão dramática em contraponto com alguns de maior comicidade.
O filme, apesar de muito competente, falha numa questão essencial, a sua história. O realizador ao querer evitar alguns dos lugares comuns das histórias da segunda grande guerra, não se aproxima dos vilões, não os dá a conhecer melhor e, sem antagonistas fortes, a aventura perde força. Existe de facto um cuidado na tentativa de evitar clichés, mas sem um adversário forte o filme perde enleio e fica aquém do que poderia ser. Não me refiro em concreto, é certo, a Adolf Hitler, que por nós é sobejamente conhecido e cujos feitos são e serão sempre um dos piores momentos na história da humanidade, mas este aspeto poderia surgir noutros personagens beneficiando a narrativa.
Este filme é de uma atualidade premente, inclusive no nosso país: abordar o papel da arte como elemento fulcral na construção da sociedade e da preservação da memória coletiva é algo que nem sempre sucede. Será esse o maior valor do filme de George Clooney, o sublinhar do papel que as artes devem ocupar nas preocupações dos Estadistas e das suas populações.
Existe uma citação atribuída a Winston Churchill, quando o questionado sobre a eventual possibilidade de cortar no apoio às artes em benefício do esforço de guerra, que terá respondido: “então, para que é que estamos a lutar?”. Quero acreditar que a citação tem o seu quê de verdade para o nosso quotidiano e releva a importância do que estes homens alcançaram em prol de um bem comum universal.
O melhor: A dupla Bill Murray e Bob Balaban.
O pior: O previsível momento romântico e a falta de ímpeto da narrativa.

Dias Martin

