Queer Lisboa: «Continental» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Pode-se dizer pelo menos que o Queer Lisboa 2013 soube abrir com alguma ousadia as suas portas: não é todos os dias que vemos um documentário abrir um Festival não-documental. E no contexto do Queer, fez todo o sentido, tanto pela escolha fora do baralho, como pela temática sumarenta a servir de crónica na primeira pessoa a década e meia de revolução sexual partindo de um só local: a mítica e pioneira sauna Continental, que começou como uma alternativa limpinha a um conceito que já existia, e se tornou num dos focos culturais da cidade de Nova Iorque, lançando para a ribalta estrelas como Bette Midler e Barry Manilow, e popularizando outras como Patti LaBelle e Frankie Knuckles.

Ainda não convencido? E se disser que no auge da sua fama, o espaço tenha recebido como convidados Alfred Hitchcock, Woody Allen, Mick Jagger ou Salvador Dali?

Se enquanto objeto cinematográfico, Continental é bastante limitado – dada a temática tão arrojada e ainda para muita gente “suja“, o realizador Malcolm Ingram bem que se poderia ter aventurado para além da lógica básica de documentário “entrevista A-entrevista B-cenas de arquivo-entrevista C“.

Enquanto repositório agregado de informação, é deveras fascinante, reunindo provavelmente detalhes que muita da “comunidade gay” (quanto mais a “comunidade hetero”!) desconhecia até então. E é aí que o filme ultimamente vence e convence.


André Gonçalves 

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