«Deadfall» (Deadfall-A Sangue Frio) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

 

Tentativa de construir um drama policial com personagens decadentes e histórias paralelas que se cruzam, tendo como pano de fundo um cenário de neve intensa e florestas lúgubres. Addison (Eric Bana) e Liza (Olivia Wilde) são dois irmãos em fuga que sofrem um acidente. Para proteger a irmã, ele separa-se dela na floresta e cada um segue seu próprio caminho. O dela vai cruzar-se com o do recém-saído da prisão Jay (Charlie Hunnan), ex-medalha olímpica do boxe. Ainda há um lote de personagens secundários que completa o quadro.

Há um esforço notório para fugir a simples banalidade de um filme policial, tentando-se dar às personagens uma dimensão humana ou contraditória – com os três protagonistas amorais a lutar contra a má sorte, em busca de redenção ou simplesmente de uma vida melhor. Nestas andanças tortuosas, a família é o principal tema – onde surgem as relações pai e filho (Hunnan e Kris Kristoferson) e pai e filha (os policiais vividos por Treat Williams e Kate Mara). No caso dos irmãos, para além de uma orfandade psicológica desesperada, a coisa vai mais longe e o sentido de proteção de Addison cruza a linha do incesto.

Ainda que nem tudo seja perdido, é um filme que falha em momentos cruciais, como na súbita e mal construída ligação afetiva entre Jay e Liza, e acaba por ter seus melhores momentos nas situações de ação – como quando Addison salva uma família maltratada numa cabana ou a uma perseguição policial no gelo.

O final podia ter salvado tudo, já que pouco antes dele há um verdadeiro suspense. Mas a opção do argumento em enveredar um dos protagonistas pela via da psicopatia exacerbada e já desgastada põe tudo a perder. Stefan Ruzowitzky, tanto capaz do brilharete com Os Falsificadores quanto de obras rotineiras sem qualquer cunho autoral, não soube (ou nem quis) dar a volta às fragilidades do argumento.

O melhor: alguns momentos de ação; ainda assim, as pretensões do argumento
O pior: o final e algumas ligações entre personagens mal construídas

 
Roni Nunes

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