De vez em quando aparece algo de brutalmente estranho, que nos leva de assalto e desaparece, deixando apenas a questão de: “O que acabámos de ver?”. Spring Breakers é um desses filmes.
Tal como muitos disseram, tenho que referir e salientar um ponto importante: Ou se gosta ou se odeia. Não há margem para estar a meio termo. À saída do cinema vi-me dividido com aquilo que acabei de ver, mas após muitas horas de reflexão (que custaram quase uma noite em branco), cheguei à conclusão que o filme é de facto positivo por este meu prisma.
Spring Breakers conta a história de quatro amigas, Faith (Selina Gomez), Candy (Vanessa Hudgens), Brit (Ashley Benson) e Cotty (Rachel Korine) que querem realizar uma viagem de finalistas à Florida. Para isso assaltam um restaurante para angariar dinheiro suficiente para a viagem. Quando chegam lá, a festa corre tão loucamente, com muito álcool, sexo e drogas, que as raparigas são presas por um delito – para depois serem libertadas, com a fiança paga por Alien (James Franco). Estes depois embarcam numa aventura reservada a gangsters.
Apesar de ter um argumento bastante fútil e básico, o filme é constituído principalmente por controvérsia. Controvérsia esta justificada pela interpretação do sonho americano e a demonstração do que é a típica viagem de finalistas americana, onde sexo, drogas e quantidades ridículas de álcool são o predominante nestas festas (popularizada mais tarde pelo que conhecemos hoje como Girls Gone Wild).
Entretanto, a menina da Disney, Selena Gomez, é a personagem mais fraca do filme, que acaba por ser relativamente irritante durante grande parte do tempo (com os seus dilemas de menina boazinha), mas que felizmente tem a sensatez de voltar para casa ao fim do primeiro ato. No entanto, a outra menina da Disney, Vanessa Hudgens, é das mais selvagens no filme, no seu papel mais sensual desde Sucker Punch.
Mas é James Franco e a sua persona que rouba a atenção. A sua caricatura de um rapper, com mais armas que um exército, mais dinheiro do que alguma vez poderia gastar e uns dentes de prata, é dos papéis mais loucos do ator e promete ficar na história.
A mistura de toda a violência gratuita, da banda sonora genial, dos planos artísticos, isto tudo cria a atmosfera única, com bikinis florescentes e Britney Spears à mistura.
O mais curioso é que há coisas que chegam a um ponto que parece que o filme merece a sua própria exposição temática no museu de arte moderna Tate em Londres. É uma obra única, que praticamente nos dá um estalo na cara, deixando o espetador perplexo. É isso que torna Spring Breakers tão especial.
O Melhor: Ser algo tão único que nunca voltaremos a ver, sobretudo James Franco num papel tão louco. A banda sonora brutal.
O Pior: A história superficial e a fraca presença de Selena Gomez

Ricardo Du Toit

