Pouco ou nada acontece na estreia de Carlos Machado Quintela nas longas-metragens. O cubano “La Piscina” é uma obra minimalista em locações (um par de espaços), planos (entre os gerais que mostram as personagens envolvidas pelo espaço onde estão e os close ups que nos fazem ver detalhes da expressividade das personagens), diálogos (curtos e intercalados por longos silêncios) respostas e até na duração (cerca de 60 minutos). O único arranjo mais complexo parece vir da cinematografia, arte que desde o primeiro minuto nos enquadra no espírito do filme e que ajuda a criar o ambiente de contenção perfeito.
É nessa construção cénica à primeira vista mínima, mas com um cuidado estético e uma forma contemplativa acima da média, que assistimos à “história” da visita à piscina de quatro jovens, todos eles com algum tipo de deficiência. Diana (Monica Molinet) não tem parte de uma perna, Rodrigo (Felipe Garcia) tem problemas motores, Dani (Marcos Costa) tem o Síndroma de Down e Oscar (Carlo Javier Martinez) não fala. A interação e intimidade entre todos estes elementos acaba por produzir os melhores momentos da obra, mas esses momentos nunca são suficientemente aprofundados para podermos criar uma verdadeira empatia com as personagens, apesar de sentirmos algumas vezes que os conhecemos.
Por outro lado, ao invés de vitimizar estes jovens pela sua condição, Machado Quintela prefere não transformar isso sequer em assunto, acompanhando o espectador uma tarde normalíssima de um grupo sempre sob o olhar atento de um monitor (Raúl Capote, o único ator profissional em cena), também ele alguém que pouco conhecemos e com pouco a acrescentar à orgânica da história.
E se por um lado este afastamento emocional nega a hipótese de qualquer sensacionalismo ou melodrama, por outro a forma inconsequente com que tudo é tratado transforma a fita num mero exercício voyarista, criando assim a fita as suas próprias barreiras que a transformam num ensaio curioso (especialmente tratando-se de uma primeira obra) mas extremamente limitado.
O Melhor: A cinematografia de Raúl Rodríguez, a contenção e contemplação que Quintela impõe e a sensação de improvisação dos diálogos
O Pior: Muito limitado

Jorge Pereira

