IndieLisboa’13: “Parallax Sounds” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Talvez o meu olhar não tenha sido na perspetiva mais correta (um verdadeiro erro de Paralaxe, talvez), mas a verdade é que este documentário (mais um filho do Kickstarter) assinado pelo italiano Augusto Contento revela-se bastante insuficiente para aquilo a que propõem, ou seja, o estudar a profunda relação entre a unicidade musical local e a paisagem urbana na cidade de Chicago.

Na verdade, e durante quase hora e meia, este projeto – que certamente agradará todos os que estão por dentro do universo musical de Chicago nos anos 90- reúne uma série de entrevistados que vão falando da cena musical  e ligando-a às especificidades da cultura, arquitetura e até à sociologia urbana da cidade. Porém, todos estes elementos soam mais à faixa 2 de áudio de um DVD do que propriamente a um estudo aprofundado que vá para além do comentário, lembrança e visão muito própria.

E apesar de surgirem declarações/entrevistas de nomes como David Grubbs (dos Squirrel Bait, Bastro e Gastr del Sol), Damon Locks (dos Trenchmouth e The Eternals), Ian Williams (Don Caballero, Storm & Stress e Battles), Ken Vandermark (Vandermark 5, Spaceway Inc., Flying Luttenbacher) e Steve Albini (Shellac), que vão falando ora em carros, no comboio ou num barco, sob a sua perspetiva das coisas, estranha-se (e não se entranha) a ligação dos elementos, especialmente quando surgem em cena palavras e comparações com Seattle ou com Nova Iorque, recorrendo-se a temáticas como a diferente cultura em relação à droga, à menor cultura de estrelas e ao ínfimo investimento de gente fora da música nessa arte.

Ainda assim,  e apesar de ser notória a ausência de imagens musicais dos anos 90 (salvo algumas exceções), a mistura da banda sonora criada pelo próprio Vandermark com as imagens da vida e elementos urbanos, produzem grandes momentos, ainda que não de forma contínua. 

No final, temos assim um filme com boas ideias e quadros citadinos repletos de vida e história, mas no todo este documentário soa a escasso, a oportunidade desperdiçada e a algo extremamente limitado, sendo assim melhor nas partes e em alguns contributos que no seu todo.

O Melhor: As imagens e como estas mostram as especificidades da cultura, arquitetura e sociologia urbana
O Pior: Soa sempre à faixa 2 de áudio de um DVD

Jorge Pereira

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