“The Expatriate” (O Expatriado) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

 

«O Expatriado» é um thriller rotineiro que coloca um homem e a sua filha em busca da verdade mas em fuga dos vilões.  

Ben Logan (Aaron Eckhart) trabalha e vive na Bélgica com Amy (Liana Liberato), a sua filha. Os dois não têm muita cumplicidade e o filme esforça-se por mostrar aquele género de relacionamento forçado de um pai ausente que é obrigado a cuidar da filha quando a mãe morre. Este género de relação disfuncional familiar tem sido usada muitas vezes como pano de fundo para algo maior, como aconteceu com Tom Cruise e filho em «Guerra dos Mundos» (apenas um dos milhares de exemplos). Ora esse algo maior aqui é um thriller de espionagem, caminho pelo qual o realizador Philipp Stölzl (que brevemente levará às salas “O Médico de Ispahan”) trilha sem grande arrojo ou tom inovador, nunca saindo da zona de conforto do género e conseguindo com isso os mínimos de espectacularidade, ainda que seja preferido um estilo mais realista desta que verdadeiramente espalhafatoso.

O resultado final é assim um entretenimento escapista, o chamado filme pastilha elástica, que se come com algum prazer mas que rapidamente perde o sabor, não houvessem tantos iguais ou melhores.

Os atores seguem o mesmo sentido do argumento, não havendo particular destaque para nenhum deles. Eckhart viaja bem entre os dramas, os filmes de acção e os policiais. O seu tom duro, seja ele militar ou agente secreto, é credível. Já Liberato escapa agora dos monstros da pedofilia de «Trust» e é perseguida por outros, fruto de uma conspiração empresarial com reflexos políticos. Os dois cumprem, mas tudo parece a meio gás (Olga Kurylenko é desperdiçada) e já visto num género repleto de trabalhos maiores e com finais bem mais criativos.

O Melhor: Entretém
O Pior: Falta de criatividade e arrojo


Jorge Pereira

 

 

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