«Tom Yum Goong» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Kham é um jovem lutador que vai à Austrália recuperar o seu elefante roubado. Com a ajuda de um detective australiano, nascido na Tailândia, Kham deve enfrentar todos os inimigos, incluindo um gang liderado por uma diabólica mulher e seus mortíferos guarda-costas. 

Elenco

Tony Jaa, Xinh Jing, Petchtai Wongkamlao 

Realizado por Prachya Pinkaew 

Crítica

Há coisas que não se sabe bem explicar, mas elas sentem-se. Os filmes de Bruce Lee, situam-se normalmente juntos dos mais vulgares clichés de vingança, dramatismos e luta. Porém, um estranho fascínio pelas capacidades do seu protagonista trasformavam uma obra vulgar em algo inesquecível. E sim, sou um grande fã de Bruce Lee. 
E todos até me podem dizer que há milhares de filmes assim, repletos de porrada e um drama por trás que envolve sempre um parente morto e um desejo de vingança. Porém, há uma coisa que esses filmes da actualidade não têm, e que faz toda a diferença. Um verdadeiro herói como Bruce Lee. 
É assim com agrado, e tal como já tinha dito quando estreou “Ong Bak”, que no cinema surge finalmente alguém que possa realmente nos fazer crer que tem as capacidades que demonstra no filme – sem fios, sem a tecnologia xpto, um puro actor no seu género, que pela sua constituição física nem acreditaríamos que era capaz de matar uma mosca. 
Chuck Norris a mim nunca convenceu nas artes marciais, mas já com uma arma em punho e um punhado de socos – num estilo a cair para o Charles Bronson com demasiada cafeína, tornou-se um ícone do cinema de acção – especialmente daquele que todos gostam de criticar. 
E há também a armada asiática, destacando-se Jet Li e Jackie Chan, que devido ao facto de arrastarem cada vez mais as suas carreiras neste género de filmes, e usando neles tecnologia para fazer o impossível, perdem alguma integridade. Basta ver, como exemplo, “New Police Story”, onde um Jackie Chan já com algumas dificuldades parece querer provar a si próprio que ainda consegue ser credível no que faz. 
E com um verdadeiro herói de acção (com muito humor à mistura) moderno na força e destreza como Vin Diesel, faltava agora alguém que nas artes marciais continuasse um legado que conquistou o ocidente especialmente a partir dos anos 70 – e sem dúvida devido ao sucesso de Bruce Lee. 
É aqui que surge então Tony Jaa, um tailandês franzino com uma elasticidade e agilidade sobrenaturais, que definitivamente me parece ser o grande herói da acção “marcial” para o futuro. 
E mesmo num filme que segue um homem que parte para a Austrália em busca de vingança – e do seu elefante de estimação (sim, pode-se reduzir a história a isso), Tony Jaa volta a destacar-se por tudo o que já tinha mostrado em “Ong Bak”, e desta vez sem as irritantes repetições, que mais pareciam um anúncio à powerbox ( e aos multi-ângulos conseguidos com o serviço digital), e por muito mais. 
Por tal, e apesar de achar o filme demasiado longo para o propósito, “Tom Yum Goon“ é mais uma fulgurante bomba de acção, imperdível para todos os fãs de artes marciais, e em particular do Muay Thai, Krabong, e até capoeira, havendo nitidamente um maior cuidado na sua execução e uma maior tentativa de encontrar elementos que conquistem ainda mais público no ocidente. Aliás, a ida à Austrália é um bom exemplo disso mesmo. 
A lamentar apenas a fraqueza no que toca a interpretações, algo que já sucedia em “Ong Bak”, e o modelo muito mais vincado de “videojogo”, onde cada sequência de luta parece um nível. 
Mas como já disse, há coisas que não se sabem explicar bem, e apesar deste filme ser vulgaríssimo, a presença de Jaa – e a forma como ele faz tudo sem grandes artificialismos (nem duplos), vale só por si uma ida ao cinema…
É que não tenham dúvidas. Todos os 6 valores que dou a esta obra vão direitinhos para Tony Jaa, a mais interessante descoberta no cinema de artes marciais desde Bruce Lee… 6/10…. Jorge Pereira 
Nota: Bem perto do final do filme, num aeroporto, Jaa choca com um homem. Esse homem é Jackie Chan, um “cameo” deste filme que bem se pode considerar uma passagem de testemunho e um reconhecimento da qualidade deste jovem.

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