Rapaz conhece rapariga. Rapaz apaixona-se e tenta conquistar a rapariga a todo o custo. Até aqui temos uma comédia romântica. Rapaz come os miolos ao namorado da rapariga, porque o rapaz é um zombie. É precisamente aqui que a premissa deixa de ser convencional.
Imaginem um Twilight com zombies e esqueletos andantes, em vez de vampiros e lobisomens – escrito por um jovem sobre o efeito de drogas, em vez de uma senhora de meia-idade (possivelmente com gatos). Está feito o enredo de “Warm Bodies”.
A verdade é que se a premissa afasta a possibilidade de obra-prima cinematográfica, o resultado acaba por ser bem melhor do que o esperado.
Temos um zombie com pensamentos humanos, chamado R (Nicholas Hoult) e uma “Kristen Stewart loura”, chamada Julie (Teresa Palmer). R é o zombie mais romântico da zona, para além do melhor DJ. Aliás, a banda sonora do filme é maioritariamente (e ainda bem) retro, desde Bob Dylan, passando por Guns n´Roses.
Para além da banda sonora, o melhor do filme é o facto de não procurar forçar a comédia exacerbada, mas optar por um humor mais contido, apostando nas subtilezas das sequências das cenas, o que tornam as coisas mais simples e engraçadas. Nesse aspecto, a química humana-zombie funciona na perfeição, sendo que, ao contrário de Kristen Stewart em Twilight, Teresa Palmer apresenta mais que duas expressões faciais.
Jonathan Levine continua a optar por realizar e escrever filmes com as premissas menos ortodoxas possíveis. Desde o traficante/psicanalista de ”Wackness”, até ao doente de cancro em 50/50, Jonathan constrói filmes que se sabem rir deles próprios, que são despretensiosos e que não aborrecem ninguém. No entanto, “Warm Bodies” acaba por falhar por ser excessivamente superficial na sua história, que em certas partes é demasiado ridícula e sem grande interesse.
O Melhor: Banda sonora, Teresa Palmer e a subtileza humorística.
O Pior: História excessivamente parva e superficial.
| Nuno Miguel Pereira |

