«The Impossible» (O Impossível) por Diogo Guerner

(Fotos: Divulgação)

Em 2004 a natureza mostrou ao mundo o seu poder destruidor. Durante dias a atenção mundial esteve focada no sudoeste asiático e na tragedia causada pelo tsunami. Passados 8 anos chega as salas de cinema “The Impossible”, um filme baseado em factos verídicos que retrata a história de uma família que durante as suas férias de natal num resort paradisíaco na Tailândia (o pais mais afetado) é inesperadamente apanhada no meio desta catástrofe.
 
Após as celebrações de natal, Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan Mcgregor) desfrutam na piscina na companhia dos seus três filhos. A calma e a diversão natural de umas férias no ‘paraíso’ são, numa questão de segundo, transformadas em momentos de pura agonia quando vêem uma onda gigantesca a formar-se no horizonte. A fúria do mar leva tudo consigo e a família é separada. 
 
Sem saberem do paradeiro do resto da família Maria e o seu filho mais velho Lucas (Tom Holland) lutam por sobreviver enquanto são arrastados pela poderosíssima corrente. Agarrados a um tronco de uma arvore conseguem escapar mas Maria esta gravemente ferida. Esta primeira meia hora do filme é estonteante, pois está carregada de um realismo brutal que faz o espectador sentir na pele a impotência do ser humano face a esta força da natureza. A destruição causada pelas águas é visível a todo o redor e a ferida na perna de Maria começa a piorar. O desespero da situação e o sofrimento dos personagens faz-nos por momentos pensar que esta obra será uma visão das catastróficas consequências deste desastre, mas não é exatamente isso que acontece.
 
Apesar de sermos confrontados com o pânico e a desordem dos serviços de emergência no local, o filme toma um rumo inesperado, seguindo um caminho mais seguro e conformista. A narrativa concentra-se então em mostrar o que aconteceu aos restantes membros da família. Henry, juntamente com os seus outros dois filhos, passa a ser o foco principal e é aqui que o filme perde o seu interesse. Os seus esforços para encontrar Lucas e Maria transformam a dureza inicial de ‘The Impossible’ numa história já muitas vezes vista, em que a narrativa toma um rumo melodramático com o intuito claro de emocionar os espectadores mas sem acrescentar nada de volta. Este é assim mais um filme em que numa situação de calamidade, através de uma serie de encontros e desencontros e de uma maneira muito improvável, o amor da família vence tudo e todos..
 
Com isto, a obra esforça-se assim em demasia, tendo como objetivo primordial arrancar uma lágrima aos espectadores mais sensíveis. Esta tentativa é por demais evidente, o que prejudica a fita e faz com que a historia desta família não seja digna de representar uma catástrofe que matou mais de 230 mil pessoas.  A sua estrutura narrativa constrói desta maneira um filme banal que já foi visto variadas vezes, o que é pena, pois nem tudo é mau. A primeira parte prometia, mas pelas opções tomadas ‘The Impossible’ representou uma oportunidade perdida. 
 
Para este desfecho muito contribui Ewan Mcgregor que, com uma interpretação sem vida e notoriamente forçada, está muitos furos abaixo dos restantes. Naomi Watts, num excelente registo que lhe valeu recentemente a nomeação para o Óscar de Melhor Atriz, oferece uma interpretação de grande nível, auxiliada na perfeição pelo estreante Tom Holland.

O melhor: A primeira meia hora
O pior: A banalidade do resto do resto do filme e Ewan Mcgregor
 
 
 Diogo Guerner
 

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