«Zero Dark Thirty» (00:30 Hora Negra) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)
 
Este é claramente um dos filmes com um dos desfechos mais fácil de prever, ou não falasse da captura e morte do Bin Laden (ups, spoiler). Apesar disso, todo o hype criado à volta desta obra, talvez pela sua, pretensa, utilização de informações secretas e por ser um filme com a assinatura de Kathryn Bigelow, de quem muito se espera desde Hurt Locker
 
Como não sou fã dela, só a curiosidade pela temática abordada é que me despertou o interesse e nesse sentido não fui vítima das expectativas elevadas que o filme pode criar, a avaliar pelas críticas e prémios para que tem sido nomeado. 
 
Este filme acaba por funcionar apenas como um bom filme de ação. Muito realista em termos imagéticos e sonoros (ótimos efeitos sonoros), coadjuvados por uma narrativa bem desenrolada e com um clímax poderoso, na altura do assalto à “casa” de Bin Laden. 
 
A ajudar à festa temos uma interpretação competentíssima de Jessica Chastain, que interpreta Maya, cuja vida compenetrada nesta missão, ao longo de 12 anos de serviço, é exposta em plano de fundo, durante os 160 minutos do filme. 
 
Está é a única coisa que o filme acrescenta de novo, a exploração, ainda que curta, da vida interior de uma personagem, cuja juventude foi privada da normalidade e que fez com que se tornasse vazia. Sendo o seu único propósito capturar Bin Laden. Nesse sentido, a cena final do filme, procura uma reflexão pseudo-filosófica sobre a vida daquela rapariga, acabando por funcionar bem.
 
Porém, esta missão ganhou um cunho mais pessoal, quando um acontecimento nefasto, causado por terroristas, rouba a única amiga de Maya (apesar de a sua relação se ter baseado apenas em um jantar). Neste momento ela torna-se a vingadora de serviço (uma mistura entre a perseverança de Carrie da série Homeland e o badass style de Mel Gibson no filme Payback). No entanto, essa vertente mais interna da personagem, nunca foi devidamente desenvolvida, talvez porque a própria personagem era interiormente vazia.
 
De resto, o filme apresenta mais do mesmo. Tem patente um tom monocórdico, politicamente correto e “sem sal” em que não há uma expressão de opinião vincada, nem uma tentativa de crítica social. Ao invés, apresenta os padrões dos filmes do género, em que todas as atitudes más dos americanos têm o propósito de apanhar os maus da fita e, por isso, são justificadas. Depois existe a perpetuação do estereótipo do muçulmano terrorista e a centralização na personagem principal (que contra todas as expectativas e adversidades consegue, praticamente sozinha, atingir o seu objectivo principal).


O Melhor: Ritmo da narrativa e a interpretação de Jessica Chastain
O Pior: Funciona muito bem enquanto filme de ação, mas não acrescenta nada r para o ano que vem já ninguém se lembrará dele.
 
 
 Nuno Miguel Pereira
 

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