«Sammy 2» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Ainda que muito longe das mega produções da Disney e da Pixar, cada vez mais pequenos estúdios europeus, africanos ou orientais (excluímos Japão e Coreia do Sul destes, porque esses há muito que o fazem) tentam conquistar o mercado do cinema de animação comercial para sala. Com o crescendo do fenómeno 3D, têm-se multiplicado as produções deste género, normalmente apresentados nas salas nacionais por distribuidores mais pequenos. «Sammy» é um bom exemplo disso mesmo e conquistou um espaço no nosso mercado quando a Prisvídeo (agora Pris) o apresentou em cinema ainda em 2010. O resultado no box-office, foi simpático, e mais de 120 mil espectadores foram às salas nacionais ver as aventuras da pequena tartaruga. Dois anos depois, e com mais exemplos dessa deslocalização da produção de animação para cinema fora do universo de Hollywood (como «Animais Unidos» ou «Zambézia»), «Sammy» regressou às nossas salas, desta vez com a Zon a distribuir e a tentar repetir o sucesso do filme anterior.
 
Desta vez seguimos como Sammy e Ray, duas tartarugas e grandes amigos, que encaminham os recém-nascidos Ricky e Ella para o mar, são apanhados – num momento de distração – por caçadores furtivos que os vendem a um aquário ultra sofisticado do Dubai. Já no aquário, Sammy e Ray acabam por engendrar um plano de fuga, mas terão de lidar com outras personagens presentes em cena, como Jimbo, Lulu e Mega D, um cavalo-marinho mandão, que pode por em risco os seus planos de fuga. 
 
Tecnicamente consegue-se ver a evolução que estas produções fora do cinema de Hollywood tiveram ao longo dos anos. Quer os traços dos animais, quer a sua expressividade, as cores e o design dos ambientes são profundamente elaborados, e não deixam dúvidas que há vida fora dos estúdios habituais. Já as suas histórias, temáticas e personagens são normalmente estereótipos universais, que tanto podiam ser peixes como outros animais ou mesmo humanos. Na verdade quase todas as animações hoje em dia circundam a temática da perseverança e de acreditar nos nossos sonhos, havendo normalmente (também) uma lição familiar e ecológica por trás e uma dualidade no comportamento dos humanos em cena: alguns são vilões, outros salvadores (em «Rio» isso também se sente). «Sammy 2» não escapa a isso e fá-lo sem grande grau de inventividade no enredo, ainda que seja suficientemente interessante – num nível infantil-  nas personagens que coloca em cena. Ainda assim, nenhuma das suas personagens consegue ser icónica como os exemplos vindos dos EUA (ou do Japão), ou fazer o filme crescer em termos de alvo de audiências. Sammy não chega a ser um Nemo e não existe aqui nenhuma outra personagem que consiga saltar para um patamar universal. Não há nenhum Scrat, burro de Shrek, pinguins de Madagáscar e por aí fora. E isso é o maior entrave para que estes filmes subam alguns patamares no seu género, pois em tudo o resto começa a ser cada vez menor a distância entre os filmes americanos e estas produções europeias com objetivos profundamente comerciais.
 
O Melhor: Tecnicamente bem construído
O Pior: É exclusivamente infantil
 
 
 Jorge Pereira
 

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