Os altos e baixos da saga “Twilight” no cinema são constrangedores, acima de tudo porque frequentemente implicam um grau de sinceridade e honestidade que mexe com a falta de razoabilidade dos fãs de qualquer saga originária na literatura. Os livros de Stephenie Meyer não são grande coisa e foram escritos em massa ao longo de poucos anos para esta rentabilizar uma boa ideia. E os filmes, pobres deles, podem esforçar-se ao máximo mas só quando de conseguem desprender dos livros é que conseguem oferecer algo minimamente razoável. “Eclipse” de David Slade (’30 Days of Night’), o terceiro filme, tinha ritmo e ação, e «Breaking Dawn Part 1» conseguia no seu terceiro ato revelar-se originalmente e até ambicioso. Menos mal se considerarmos a modéstia da aventura “teen” do primeiro filme ou o tom telenovelesco de “New Moon“, que respeitavam os livros como se da Bíblia se tratasse.
«Breaking Dawn Part 2» tem consciência nisso e faz um esforço enorme para evitar o final sem sabor que os livros têm. Em grande parte até o consegue. A autoridade vampírica dos Volturi vem a Forks para eliminar os Cullen num ato de tirania pouco razoável. Vêm liderados por Aro, interpretado por um Michael Sheen muitos furos acima do resto do elenco, que finalmente assume o papel de um antagonista real e ameaçador para uma saga excessivamente apoiada no triângulo amoroso de Jacob, Bella e Edward.
A antecipação da luta, no entanto, duplica muito o que já vimos em ‘Eclipse‘. Os Cullen reúnem forçam e apoios, desta vez não só junto dos lobisomens mas também de vampiros de todo o mundo. Toda a antecipação culmina numa luta (que quer em ‘Eclipse’ como em ‘Breaking Dawn 2‘ não existiam nos livros – que eram totalmente desprovidos de ação).
As novas personagens que surgem neste último filme até são interessantes mas o filme não consegue dar-lhes tempo o suficiente para justificarem a sua existência. Já a luta é enorme e muito bem conseguida – Bill Condon gere bem as várias frentes físicas e emocionais e a realidade é que ‘BD2‘ quase dá à saga ‘Twilight‘ um final dramático e emocionante.
Quase, como disse, porque as lutas não fazem parte dos livros de Stephenie Meyer. E o final “flat” do último livro acaba por ser totalmente respeitado, traindo no último ato um filme “Twilight” que se havia revelado estranhamente corajoso. Agora, porque é que o eficaz filme de Bill Condon acha que deve respeitar o medíocre livro final de Stephenie Meyer é agora que apenas pode ser respondido pelo seguinte: apesar dos números aparatosos da série, a saga ‘Twilight‘ é uma festa particular só para os fãs da saga.
O melhor: A loucura de Michael Sheen e a luta final.
O pior: O final enganador e pouco ambicioso.
| José Pedro Lopes |

