«Chasing Mavericks» (Realizar o Impossível) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Jay (Jonny Weston) é um rapaz que desde sempre esteve ligado ao mar. Frosty (Gerard Butler) é uma lenda local e com muitos anos daquilo. As suas histórias entrecruzam-se no momento em que Frosty salva Jay do mar. Uns anos mais tarde, o jovem segue o seu herói até uma praia ao pé da sua casa e descobre as míticas ondas de Mavericks.  Depois, ele passa a ter o objetivo de conseguir surfá-las e para isso vai contar com o seu mentor Frosty, um perito naquele tipo de ondas.
 
Este filme baseia-se em mais uma história verídica (procurem Jay Moriarity no Wikipédia para saber o final do filme). Ao estilo americano e com uma história banal, acaba por até ser um filme interessante
 
Ao contrário de outros filmes do género, como “Blue Crush”, não fiquei com a mínima vontade de fazer surf. Aliás, fiquei cheio de medo. É preciso ser muito louco para lutar contra ondas daquelas, é quase como desafiar o Muhammed Ali (em boa forma) para lutar e dar-lhe dois assaltos de avanço. Neste caso, o facto de eu não ter vontade de fazer surf é um enorme elogio para o filme.A fotografia é tão bela, tão real, que a única coisa que eu quero fazer é apreciar as ondas e nunca, eu repito, nunca, surfá-las. Os cenários acabam por ser o que o filme tem de melhor. Curtis Hanson e Michael Apted (nas últimas três semanas, devido a doença do primeiro) dão realismo e beleza (e por vezes publicidade escancarada a uma marca de produtos de surf), através da sua realização experiente e segura. Não quero com isto dizer que a história é má, mas é contada de forma algo atabalhoada. O argumento (de Kario Salem) põe uma série de contratempos na vida de Jay, desde a mãe alcoólica ao amigo que compra droga, mas acaba por nunca os desenvolver, ou sequer aprofundar. Lança aquilo ao ar e depois não toca mais no assunto. No entanto, é importante destacar que, ao contrário de outros filmes de surf, este acaba por ter alguma profundidade e coração. Para esse efeito temos os dois personagens principais. Tenho de referir que o Butler quase me consegue convencer que é Americano. Eu disse quase, porque um Escocês quando se irrita, irrita-se com sotaque, mas por acaso neste filme quase que não se nota. Para além disso, cumpre muito bem o papel e a sua personagem tem bastante interioridade. Vamos percebendo aquela maneira de agir e vamos sentindo cada vez mais empatia com ele. Quanto ao Jonny, bem, ele tem uma interpretação cheia de coração e foi quem, de longe, se destacou mais. Este rapaz é, sem dúvida, muito carismático.
 
Em relação aos atores secundários, eles foram quase espectadores da narrativa, não causando grande impacto. Aqui e ali lá apareciam, mas pouco ou nada faziam pela história. Excepção feita a Leven Rambin, faz de Kim, a paixão adolescente de Jay. Leven pode não participar muito, mas sempre que participa vale a pena espreitar.
 
No fundo, este é um filme que se vê bem, de preferência no maior ecrã possível, para tirar o máximo de proveito das potencialidades (ondas gigantes e a Leven Rambin de biquíni).
O Melhor: A fotografia, o coração de Jonny e o facto de o Gerard Butler parecer Americano.
O Pior: A história muito banal e algum excesso de melodramatismo.
 
 
 Nuno Miguel Pereira
 

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