Na lista das maiores desilusões de 2012 está certamente este «[REC]³ Génesis», filme que não se confirma como uma sequela, mas sim uma espécie de sidequel, ou seja, que ocorre paralelamente aos eventos retratados no primeiro filme.
Em todos os sentidos, este [Rec], agora só com Paco Plaza no comando, é uma desilusão. Primeiro abandona-se parcialmente o tom found footage, mas sem resultados práticos que melhorem a eficácia. Se Hollywood se aproximou até à exaustão deste formato devido a resultados positivos no box-office, a verdade é que parece que Plaza quer fugir dele a sete pés com medo de uma potencial saturação, não se preocupando com o impacto que isso trás para a sua franquia em termos de resultados. É que se até poderia ser refrescante uma variação da forma (e do conteúdo, como já veremos a seguir), a maneira como foi executada levou o filme a entrar numa nova vida (ou morte) pouco interessante e apenas reservado a algum culto em festivais de cinema do género.
No geral deste novo filme, o terror de sustos é substituído pela comédia de horror e aqui falha-se naquilo que é essencial, ou seja, fazer rir o espectador – apesar da energia festivaleira e o ambiente «camp» subsistirem. O problema neste «[REC]³ Génesis» é que não há nada que não tivéssemos visto – e melhor – em outras obras de género, sendo particularmente doloroso e risível quando começam a surgir alguns explicações místico-religiosas, jogo de espelhos e as típicas «oneliners», que em vez de marcarem positivamente a obra, apenas acentuam o tom idiota que contrasta com uma estrutura de terror mais séria dos filmes anteriores.
Nisto salvam-se as personagens principais, Clara (Leticia Dolera) e Koldo (Diego Martin), que tentam a custo reencontrar-se durante todo o filme após o seu casamento ser invadido por um tio que transporta o vírus. A forma como os dois se articulam tem o seu charme e graça (ela de motosserra na mão, ele de armadura), mas na essência nem este casamento consegue segurar esta nova estirpe do franchise – que no essencial se revela escusado e faz lembrar aqueles números da banda desenhada que passam para universos paralelos.
O Melhor: Os primeiros momentos e Leticia Dolera com a motosserra
O Pior: Pouco humor e bastante ridículo na (tentativa?!) de explicações do fenómeno.
| Jorge Pereira |

