«Arbitrage» (A Fraude) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Após os casos da Enron, do Lehman Brothers e do caos mundial em torno da dívida, o setor financeiro começou a representar-se no cinema como o vilão perfeito. «Margin Call» é um sério exemplo de um filme sobre pecados financeiros e este «Arbitrage» segue essa linha, ainda que seja mais disperso no enredo. 

Richard Gere volta a pegar no fato empresarial de filmes como «Um Sonho de Mulher» e assume o papel de Robert Miller, um milionário em decadência que esconde – através de um processo fraudulento – o colapso dos seus ativos. O objetivo é simples. Enganar um comprador com uma perspetiva distorcida dos seus negócios. 

Paralelamente a este declínio financeiro, emocionalmente as coisas não são melhores. A relação de adultério que vive com uma marchand de arte (Laetitia Casta) ganha novos contornos após esta morrer num acidente de viação do qual é responsável. 

Os eventos sucedem-se e a pressão aumenta de dia para dia, ficando este homem lado a lado com a sua situação financeira, o seu estado sentimental e os seus novos problemas criminais- a policia monta-lhe o cerco, convencida da relação do milionário com a falecida e a sua responsabilidade no caso.
 
«Arbitrage» é um filme de pressões, de fraudes (financeiras e sentimentais), de redenção e derradeiramente de castigo. O elenco segura as personagens e eleva-os para um nível bem acima da qualidade do argumento – que apesar de se revelar eficaz acaba por ser pouco arrojado, preferindo manter-se numa zona de conforto rotineira. 
 
O thriller acaba assim por ser banal, ganhando mais a obra (e o espectador) com o contexto global e psicológico do caminho de um homem sobre pressão para a amoralidade. Há momentos em que os 35mm em que foi filmado e a banda-sonora de Cliff Martinez (Drive) conseguem nos transportar para o mundo decadente da Wall Street dos anos 80 (onde nem falta o toque de cocaína a circular e o ambiente numa festa carregada de arte). Mas é a contemporaneidade geral da temática que dá a este projeto uma relevância profundamente atual, mesmo que aqui se toque apenas de raspão em todos os temas e questões que se abordam.
 
O Melhor: Richard Gere, Susan Sarandon, Brit Marling e Tim «Lie To Me» Roth.
O Pior: Não é muito criativo e por vezes joga demasiado pelo seguro
 
 
 Jorge Pereira
 

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