Realizado por Jake Scott, filho de Ridley Scott, o filme segue Louis e Doug Riley (Melissa Leo e James Gandolfini), um casal martirizado pela vida que perdeu a sua filha adolescente. Os dois vivem numa relação distante e conturbada, sofrendo a mulher de uma espécie de agorafobia, sendo assim incapaz de se aventurar fora de casa.
É numa viagem de negócios que Doug conhece Alisson (Kristen Stewart), uma jovem que ganha a vida a fazer striptease e que se aventura na prostituição se lhe pagarem convenientemente.
Com o sentimento de perda da filha, e com o afastamento traumático da mulher, Doug vai assumir uma espécie de adoção de Alisson (que usa o nome Mallory no quotidiano). É nessa relação que o filme se foca, crescendo de interesse e dimensão quando Louis é adicionada à equação.
A culpa e o que fica por emendar é um dos grandes temas desta obra, pois tanto Louis como Doug encontram na adolescente problemática uma forma de refazerem e corrigirem erros do passado que cometeram, ou sentem que criaram, na relação com a sua falecida filha. A empatia entre os atores é boa, mas fica sempre a sensação de um certo egoísmo do casal, ainda que tudo pareça com as melhores intenções. Na verdade, a classe média (burguesa, diriam os franceses) frequentemente mostra nas suas atitudes benevolentes uma forma mais de se sentirem bem consigo mesmo, do que efetivamente serem altruístas. No fundo, eles tentam corrigir através de Allison os seus erros, procurando uma redenção «em atraso». Ainda assim, «Welcome To The Rileys» poderia ser um pouco mais arrojado e incisivo na auto-critica das personagens, ainda que cumpra os mínimos no que diz respeito ao entretenimento e densidade dramática.
O Melhor: Os atores cumprem e tentam dar a máxima força às suas personagens
O Pior: Falta mais força e poder a um guião demasiado clássico e sem energia ou inspiração
| Jorge Pereira |

