Filmado durante o tumulto da Guerra Civil Espanhola, este filme conta a história de dois amigos de infância separados quando escolhem caminhos distintos durante o conflito político.
Josemaria Escrivá (Charlie Cox) escolhe o caminho da paz e torna-se padre, enquanto Manolo Torres (Wes Bentley) escolhe a vida de soldado, levado pelo ódio pela violência e pela vingança.
Cada um deles irá lutar para que o poder do perdão persista sobre as forças que destruíram a sua amizade.
“Encontrarás Dragões” marca o regresso de Roland Joffé às lides cinematográficas. A história deste realizador britânico por si só já valia um filme, ao mesmo tempo que incentiva a uma teoria da conspiração que acredita que houve ali uma troca de corpos ao estilo “A Invasão dos Violadores”. Custa a crer que o mesmo Joffé que assinou obras como “The Killing Fields” e “A Missão” na década de 80, para posteriormente colaborar em produções infernais (incluindo uma presença não creditada no mini-desastre “Super Mario Bros”), de onde só se safa porventura aquele filme com a Patricia Arquette a enganar toda a gente (“A Sedutora”), e que mesmo assim tem um ar de “feito para vídeo”.
Depois de ver o filme, podemos pelo menos dizer que Joffé tenta regressar à decada que lhe deu mais sucesso, para o melhor e para o pior. Em sua defesa, a acção actual do filme decorre também aí, logo será dificil apontar um aspecto datado como falha grave. Mas dá de facto a ideia que o próprio argumento poderia ter sido escrito há 30 anos atrás, sem mudar uma única linha…
Algo mudou no cinema dos últimos 20 anos, e para tentar velhas tácticas, como a narrativa de flashbacks contada a um filho por um pai próximo da morte sobre ele e o seu amigo/inimigo fundador da Opus Dei, é bom que o filme traga algo de fresco à mesa. Ou pelo menos, tenha algum tacto para pelo menos comover o espectador. Joffé tenta bem, e nota-se, interligar aspectos românticos, políticos, e espirituais. Nós vemos a tentativa, e somos facilmente captados ao longo das duas horas, interessados em saber o que acontece, ou como acontece. Há até ali um ou outro pormenor, sobretudo a nível de enquadramento, um “show off” de um realizador fora do seu tempo, para nos fazer recordar que ele foi grande. Em tempos já longínquos. Infelizmente, é tudo muito seguro, previsível e inconsequente. E pior, sentimo-nos ligados ao filme, e as duas horas passam-se razoavelmente bem, e em simultaneo, não conseguimos chegar suficientemente perto daquelas personagens tão pré-fabricadas. É tudo remoto, feito ontem para há uns bons anos atrás. Um falhanço minimamente interessante e longe da catástrofe que muitos apregoaram, o que para Joffé significará provavelmente o seu melhor filme em mais de uma década, mas ainda assim um falhanço…
O Melhor: A lição de história.
O Pior: Nada aqui soa feito nos últimos 30 anos, o que duvido que tenha sido assim tão intencional….
A Base: Um falhanço minimamente interessante e longe da catástrofe que muitos apregoaram, o que para Joffé significará provavelmente o seu melhor filme em mais de uma década, mas ainda assim um falhanço.
| André Gonçalves |

