Se há sequelas desnecessárias à primeira vista, “A Descida 2” é uma delas. Mas o que mais surpreende é que este filme assinado pelo estreante Jon Harris é ainda mais inútil e desinteressante do que seria de prever.
Nesta sequela, Sarah Carter (Shauna MacDonald) está em estado de choque depois do massacre a que sobreviveu numa caverna perdida no interior dos EUA. Ela tenta explicar à polícia que ela e as suas amigas foram massacradas por humanoides notívagos, mas as autoridades não acreditam nela. Por tal, ela é forçada a regressar à caverna onde tudo se passou com uma equipa para encontrar as suas cinco amigas desaparecidas.
“The Descent”, o arrepiante filme que Neil Marshall (“Dog Soldiers”) realizou em 2005 é, para mim, um dos filmes mais assustadores dos anos 2000. O seu cenário era original (passado em grutas, só com mulheres) e o suspense era imenso (até ao minuto 50 não sabíamos que ameaça elas iam enfrentar). Toda esta tensão dava lugar a uma recta final sangrenta e impactante (a imagem de Shauna MacDonald a emergir de um lago de sangue), magnificada pelo duo protagonista com uma história interessante e um confronto emocional bem conseguido.
Esta sequela regressa à mesma gruta com a única sobrevivente a liderar um grupo de personagens pouco desenvolvidas, e que tem que enfrentar os exatos mesmos desafios no exato mesmo cenário (o “primeiro” susto desta sequela é igual ao “primeiro” do filme original).
Com suspense reduzido e interesse diminuído, o fator “susto” também sofre e até ao último ato “A Descida Parte 2” chega a ser algo entediante. A história é inclusivamente irritante por não trazer nada de novo: não aprendemos nada que já não soubéssemos sobre as criaturas e a motivação das personagens é o mais linear possível.
Para fazer uma boa analogia sobre o filme, em “A Descida”, Shauna MacDonald emerge de um lago de sangue antes da luta final, totalmente pintada de vermelho. Esta sequela repete um pouco esta cena… quando ela cai num poço de estrume das criaturas…
O Melhor: Um twist agita um pouco uma história sem interesse.
O Pior: Esta sequela não conta nada de novo sobre as personagens ou as criaturas, e está totalmente desarmada do forte do original – o fator surpresa.
| José Pedro Lopes |

