Se por cá o povo insiste que é na Assembleia da República que acontecem os maiores assaltos, na Coreia do Sul estes preferiram ocupar o topo do box-office local em 2012. Um dos grandes sucessos foi «The Thieves», mas onde este «era sério», relativamente «High-tech» e contemporâneo na sua construção de um grande golpe em Macau, «The Grand Heist» parodia em forma de filme de aventuras e comédia de época no período Joseon (1392-1897), já no século XVIII.
Duk Moo (Cha Tae Hyun) é filho de uma importante figura do governo, mas também de uma concubina. Dada essa situação, ele está afastado do poder e vive como vendedor de livros, sempre ansiando por obra ocidentais. A sua vida vai ganhar um novo rumo quando Jo (Nam Kyung Eup), uma figura corrupta e mafiosa, planeia dominar o comércio do gelo. Para conseguir isso, há que afastar algumas figuras de estado importantes, entre elas o pai do Moo, mas também Dong Soo (Oh Ji Ho), um guarda incorruptível que também é apanhado neste fogo cruzado pelo domínio dos negócios. Às tantas, e fustigados pela traição do corrupto, Moo e Soo decidem unir esforços e, juntamente com uma equipa de especialistas em diversas artimanhas, preparar um grande golpe que lhe permita resgatar o gelo (e também algum ouro) das mãos erradas.
Agindo como a maioria dos filmes de grandes golpes, onde «Ocean’s Eleven» e «Italian Job» vêm à cabeça de repente, esta crónica coreana de bons malandros orienta-se assim na elaboração do plano, mas dá sempre primazia à com´dia, mostrando em particular todas as personagens envolvidas, seja um mestre do disfarce, seja uma especialista em obter informações ou um técnico que terá de criar um explosivo que atue sem qualquer ruído. Há também um par de crianças metidas ao barulho, humor de flatulência e, como é também natural nestas obras, existem os habituais toques de filme de ação marcial e alguns romances de cordel pouco elaborados.
No final temos um filme com resultados mistos. Se por um lado há uma série de situações e personagens capazes de produzir diversas gargalhadas, por outro esses mesmos elementos tornam-se redundantes e repetitivos e o humor tende a ser bastante limitado e a cair em situações bastante juvenis. Nesse aspecto, os elementos de romance da obra seguem o mesmo caminho, tornando tudo bastante superficial. E se a ação marcial até é ajudada por boas sequências (ainda que raras), uma cinematografia cuidada e efeitos visuais em boa forma, também é verdade, que todos estes elementos são sufocados e relegados para 2º plano pela componente cómica do filme, até porque se há coisa que tem de se dizer é que «The Grand Heist» nunca quer ser levado muito a sério.
O Melhor: As situações que envolvem o mestre do disfarce e os outros que nunca sabem como ele está nesse dia.
O Pior: A componente romântica é demasiado tonta
| Jorge Pereira |

