Fantasporto 2013: «The Exam», por Diana Martins

(Fotos: Divulgação)

1957, um ano após a queda da Revolução. O terror é o sentimento que se vive em Budapeste e, numa tentativa de controlo, o primeiro-ministro János Kádár, ordena que a lealdade dos agentes de segurança seja posta à prova sobre condições estritamente secretas, de forma a manter algum controlo.
 
Péter Bergendy (“Stop Mom Theresa!”) surge com um filme centrado num olhar analítico ao mundo da espionagem interna e algo paranóica, que ocorre ao alto nível do Estado.  Fazendo lembrar “A Vida dos Outros” (2006), existe aqui a mesma paranóia pelo controlo e vigilância pela polícia secreta. Jung (Zsolt Nagy) está no centro da narrativa, dando vida a um professor que na verdade é um espião, recebendo informações de vários agentes e informadores que lhe reportam acontecimentos. Marjo, superior e amigo de Jung, recebe instruções para o espiar de modo a comprovar a lealdade ao partido, mas descobre segredos que põem em causa a carreira de ambos.
 
“The Exam” consegue criar uma atmosfera claustrofóbica, mantendo uma narrativa cheia de reviravoltas, que nos permite sempre duvidar dos motivos de todos, e nunca nos faz torcer por apenas uma personagem. Estas são bem moldadas e credíveis, com destaque para a personagem de Marjo, magistralmente interpretada por Janos Kulka, dividida entre o dever e a amizade.  
 
Sendo descrito pelo próprio Bergendy como um misto de drama psicológico, ação e uma obra histórica, o filme foca-se nas relações humanas como bastidores de qualquer cenário de terror, não caindo nem num excesso de melodrama nem um algo demasiado idealista ou político. 
Com um baixo orçamento, e filmado para a Magyar TV, “The Exam” mantém o ritmo e o suspense até ao desfecho final, o culminar deste jogo comunista de gato vs rato, muito em tom de “Tinker Tailor Soldier Spy” (2011).
 
O melhor: O ambiente claustrofóbico e as reviravoltas inesperadas.
O pior: É eficaz, mas não apresenta nada de novo para o género.
 
 
 Diana Martins
 
 

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