Fantasporto 2013: «White Tiger», por Diana Martins

(Fotos: Divulgação)

Leste da Alemanha, últimos meses da Segunda Guerra Mundial, frente soviética. Aleksey Vertknov é um condutor de tanques russo que sobrevive milagrosamente a um ataque, feito pelo mítico tanque alemão White Tiger, que o deixa com queimaduras em 90% do corpo. Depois de uma quase impossível recuperação, Aleksey  apenas se lembra do tanque que quase o matou – um super tanque que parece atravessar magicamente pântanos e desaparece pelo ar.  Embarca então numa procura obsessiva pelo White Tiger, sempre apoiado e protegido pela profunda crença de conseguir perceber os tanques e rezar ao próprio Deus destes. 

“White Tiger”, adaptado do livro de Ilya Boyashov, que foi a submissão oficial da Rússia na corrida  ao  Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, é o mais recente filme de um dos mais conceituados realizadores russos da atualidade, Karen Shakhnazarov ( autor do Ward No.6., também em exibição numa edição anterior do Fantasporto), filho de um político russo-arménio que trabalhou de perto com Mikhail Gorbachev.

Resultado disso ou não, o filme surge assim como uma obra com uma visão original e particular do cenário de guerra, fortificada por poderosos efeitos sonoros e um Wagner de fundo (compositor de eleição de Adolf Hitler), o que potencia a grandiosidade dos acontecimentos e do suspense.  

Contudo, estas batalhas e esta procura incessante pelo White Tiger, se ao princípio é emocionante, rapidamente se torna repetitiva, desconsiderando algum do suspense introduzido pelas primeiras batalhas. Felizmente, Shkhanazarov leva-nos para um outro nível nas últimas cenas do filme, dando lugar a uma perspectiva histórica e política dos acontecimentos, onde seguimos a rendição dos alemães perante uma cidade de Berlim em ruinas. O filme, em estilo de alegoria, completa-se assim como um puzzle sólido, em género de causa e efeito, sempre apoiado no sentimento profundo e comovente de Aleksey, um homem sem nome e sem memória, mas que tem como única razão para viver a missão de  destruir o tanque que quase o matou.

White Tiger foi o vencedor dos Prémio Especial do Júri, Melhor Realizador e Melhor Ator na Semana dos Realizadores, nesta edição do Fantasporto, sublinhando a reconstituição atípica e nostálgica das vivências da 2º Guerra Mundial.  

O melhor: A originalidade da obra, os efeitos sonoros e a personagem nunca ridícula de Aleksey
O pior: As cenas de guerra dos tanques tornam-se repetitivas.

 

 
 Diana Martins

 

 

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