Fantasporto 2013: «Forgotten», por Diana Martins

(Fotos: Divulgação)

Hanna (Mina Tander) e Clarissa  (Laura de Boer) eram as melhoras amigas na infância, passando todas as férias juntas na casa de férias, numa pequena ilha. Contudo, e depois de Hanna fazer 9 anos, elas perdem totalmente o contacto e encontram-se 25 anos depois, altura em que Hanna já é casada e tem uma filha de 7 anos. Depois deste reencontro inesperado, e estando ambas a passar por momentos complicados das suas vidas, decidem retomar a amizade que as ligava, passando umas férias na ilha misteriosa, para onde iam em crianças. E é neste cenário que as coisas começam a não correr como esperavam:  existe um passado encerrado naquela ilha, relacionado com Maria, a ex- melhor amiga de Clarissa, que desapareceu misteriosamente. 
 
“Forgotten” surge assim com um filme de terror psicológico, assente nos demónios de um passado de infância que assombra as personagens principais, já adultas. Tem todos os ingredientes chave de um filme do género: uma casa numa ilha, isolada; uma rapariga de cabelo escuro; bosques; presenças sobrenaturais e… desejos de vingança.
 
Na sua estreia na realização, o realizador alemão Alex Schmidt  conduz este filme de uma forma segura mas extremamente convincente, tornando-se numa obra mais que capaz e muito acima das expetativas. O filme, sem grandes malabarismos, tem um estilo que cativa o espetador, deixando-o verdadeiramente atento à narrativa e envolto na atmosfera criada.
 
O argumento, que aliás ganhou o Prémio de Melhor Argumento do Fantasporto, consegue impor um ritmo enigmático, sustentando uma narrativa algo imprevisível e sempre interessante. O que começa por uma fotografia num álbum de recordações vai-se adensando, tornando-se em medo e numa vingança maniaca, de forma assombrosa. Tristemente, à medida que a narrativa se vai desmistificando, entramos num modo mais sentimental e cliché que poderia ser evitado, contudo, não se torna de todo excessivo.
 
O melhor: Como a narrativa vai evoluindo de forma gradual e deliciosa até ao momento de clímax.
O pior: Alguma falta de ritmo no final.
 
 
 Diana Martins
 

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