Fantasporto 2013: «Vanishing Waves», por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Se há nome no cinema europeu que devemos anotar, ele é o de Kristina Buožytė, uma realizadora que deu nas vistas em 2008 com a bizarra história de uma terapeuta da fala que após um evento extremo começa a estudar as suas sensações através de filmagens executadas por um parceiro de conveniência. O filme, intitulado «The Collectress»mostrava logo o cuidado visual que domina o DNA cinematográfico de Buožytė, embora seja a crueza e frieza da sua protagonista que nos prende num limbo de amor/ódio. Quatro anos depois, a lituana apresenta este «Vanishing Waves», uma bizarra visita à psique humana e uma forma original de mostrar a origem do amor.

Para isso, Buožytė serve-se de Lukas, um cientista que faz parte de uma experiência pioneira em que se tenta transferir informação neurológica de uma paciente em coma. Assim, e tal como em «A Cela», assistimos à entrada de uma pessoa na mente de outra e à interação entre as duas no campo mental. Com claras influências do cinema de Tarkovsky, Kubrick e Lynch, mas com uma linguagem e visão muito própria, começa aqui uma viagem das duas personagens por terra de ninguém, ou não fosse o cérebro o território mais desconhecido do homem. Nisto dominam fortemente as cenas de cariz sexual, muitas vezes tratadas como arte performativa, nunca esquecendo um tom de mistério e tensão quando outras personagens parecem se atravessar no caminho destes amantes.

Acima de tudo «Vanishing Waves» é um filme difícil de catalogar (como «Existenz» ou «Estranhos Prazeres» o eram), pois navega entre o drama  psicossexual e o romance de ficção científica, sendo notória a opção por algumas situações absurdas (com a sequência da orgia) e enigmáticas, mas que dificilmente podem ser definidas como surreais. O certo é que com um tratamento visual muito apurado e situações profundamente teatrais geram uma obra sem paralelo e um pequeno filme de culto que requer mais que um visionamento.
 
O Melhor: Cativante, original e visualmente imponente
O Pior:  Uma ou outra sequência estende-se em demasia
 
 
 Jorge Pereira
 

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