«The Last Will and Testament of Rosalind Leigh» conta a história de Leon (Aaron Pole), um colecionador de antiguidades que herda a casa onde vivera quando era jovem com a sua mãe, Rosalind (Vanessa Redgrave), descobrindo que esta viveu numa espécie de culto de anjos misterioso. À medida que escurece, Leon começa a perceber que a casa encerra muitos mistérios e surge a suspeita de que a sua mãe está a tentar comunicar com ele, através de coisas da casa, em especial a estátua do anjo, que tivera um significado determinante no passado.
Com esta premissa, e com a narração da própria Rosalind, na voz de uma Vanessa Redgrave pesarosa e emotiva, está criada a atmosfera e o tom intimista certo. Acrescenta-se ainda o facto deste ser um filme de um só personagem, o que nos fecha mais neste ciclo intimista, de forma sufocante. De facto, todas as pessoas com quem Leon contacta, são apenas vozes ( a de Anna, e a do vizinho), aumentando o suspense e o sentimento claustrofóbico do filme.
Rodrigo Gudino, realizador do filme (e também diretor da revista Rue Morgue, centrada na cultura do horror e terror), apresenta-nos assim uma sólida primeira longa metragem, um pouco na linha das suas curta- metragens “The Eyes of Edward James” e “The Facts In the Case of Mister Hollow”. Com um estilo muito próprio, nada relacionado com o terror comum, mas algo muito mais cerebral e pessoal, «The Last Will and Testament of Rosalind Leigh» surge como um dos filmes mais interessantes do ponto de vista conceptual, numa mistura de casa assombrada, fundamentalismo religioso e drama familiar. Construído de forma lenta, Gudino centra-se nas pequenas coisas, para despertar o interesse do espectador.
No fim, contudo, paira a ideia de que algo se perdeu nesta viagem mental, algo que nos foi prometido e não foi dado. Estava lá tudo, mas poderia ser mais explorado: a história inicial do pai, que depois nunca mais é mencionada, o próprio culto dos anjos poderia ser mais desenvolvido.
Gudino é assim um realizador a ter em conta, principalmente se se manter na linha do que tem feito até agora.
O melhor: O estilo e o tom do filme.
O pior: Fica a ideia de que poderia ter sido muito melhor.
| Diana Martins |

