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Depois de «Foxes» ter dado nas vistas na semana da crítica em Veneza, Mira Fornay regressa com «My Dog Killer», um poderoso drama filmado muitas vezes num estilo quase documental e que para além de focar problemas como o racismo e a ausência de reais perspetivas de vida – acompanha todo um conjunto de má opções da nossa personagem central que vive num ambiente hostil e propicio para tal.
Marek é um miúdo de 18 anos que como amigos tem apenas um grupo de skinheads e o seu cão, comumente apelidado de «Killer» (Assassino). A sua existência está repleta de incerteza e o ambiente que o rodeia não podia ser mais nefasto. Este não é apenas um ambiente localizado a um grupo, mas a toda uma cidade na fronteira entre a Eslováquia e a Áustria, submergida em profundas divisões étnicas, onde os caucasianos e os ciganos vivem como inimigos na própria cidade. A família de Marek está fragmentada por isso mesmo. Pelo que conhecemos, Marek vive com o pai, enquanto a mãe vive na outra parte da cidade com o seu filho mais novo, que claramente tem sangue cigano. A partir daqui entendemos o afastamento de Marek da mãe, e de esta em relação a toda a sua família. O resultado é um adolescente à beira da explosão emocional, como uma bomba relógio. Se por um lado a sua presença na cultura skinhead lhe dá alguma companhia, mesmo dentro destes há que o veja como um convidado indesejado, nem que seja porque tem um meio irmão cigano.
Construído com um olhar clinico por Fornay, o filme dá primazia em estudar e caracterizar o seu jovem em fúria apesar de nunca tirar os olhos do ambiente e local onde vive. A realizadora coloca assim o rapaz perante diversos dilemas e caminhos, mas em vez de apresentar algum tipo de redenção ou aceitação da compaixão, o filme prefere mostrar o medo, a fuga à emoção e todos os passos que levam a que se tomem decisões erradas.
O resultado é assim um filme duro, onde a tal aparente frieza e contenção emocional tem no espectador exatamente o resultado inverso. Sendo assim, este é um bom filme que não só nos deixa um pouco atordoados, como ainda demonstra que para nos colocar emocionalmente em sentido não é preciso ser sensacionalista, demasiado simbólico ou até melodramático.
A não perder…
O Melhor: Um soco no estômago sem nunca ser sensacionalista ou moralmente correto
O Pior: Nada a apontar
| Jorge Pereira |

