Sundance 2013: «Stoker», por Joanna Rudolph

(Fotos: Divulgação)

A aguardada estreia de Park Chan-wook num filme em língua inglesa, o thriller psicológico «Stoker», escrito pelo ator e agora argumentista Wentworth Miller e Erin Cressida Wilson, é uma obra prima em termos visuais, mas infelizmente ficamos por aí.

Depois de falecer o pai de India Stoker [interpretada por Mia Wasikowska num registo que nos remete a Wednesday Addams/Christina Ricci em «A Familia Adams»], o seu tio Charlie (Matthew Goode), que nunca conheceu, vem viver com ela e com Evelyn, a sua mãe (Nicole Kidman) mentalmente instável. Evelyn não passa por um longo período de luto e o tio Charlie rapidamente a conquista com a sua presença e habilidade culinária. Porém, India suspeita da situação, o que se compreende já que a chegada do estranho visitante coincidiu com alguns desaparecimentos e tudo o que sabemos dele é que é um homem viajado. Com o seu charme, Charlie faz o melhor que pode para conquistar a confiança de India, mostrando mesmo a intenção que se tornem amigos. Porém, a resposta da jovem é sucinta: «nós não precisamos de ser amigos. Somos família».
 
É com isto em mente que acaba por ser perturbador e bizarro assistir à forma como, quer India, quer Evelyn, se apaixonam por ele. Para a mãe, o tio Charlie é a cura para a sua solidão. Para Índia, o encantamento evolui da sua percepção de que o tio tem segundas intenções. E mesmo que aparente que Charlie quer a atenção de Evelyn, na verdade não é a ela que ele quer. Com esta evolução, a tensão sexual entre Charlie e India levam a expressão “assustador” para outro patamar, tal como o ciúme que Evelyn vai ter da filha. 

As coisas complicam-se ainda mais quando India começa a ser cúmplice nos crimes de Charlie e só quando este revela o que realmente aconteceu com o seu pai é que a jovem começa a questionar as suas ações. Quando o final chega e procuramos algo que de certa maneira seja redentor, isso não ocorre. Ao invés, surge uma questão: qual o objetivo de tudo?

O Melhor: A fotografia exuberante, perfeitamente enquadrada
O Pior: A história/o enredo
 
 
 Joanna Rudolph
 

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