Não foi muito auspiciosa a estreia de Antti Jokinen nas longas-metragens. O finlandês, bastante conhecido no universo dos videoclipes, não gozou de grande sucesso com «Perigo à Espreita», um thriller que colocava Hilary Swank como uma inquilina vigiada (e abusada) pelo seu obsessivo senhorio (interpretado por Jeffrey Dean Morgan).
Sem outras grandes propostas de Hollywood, Jokinen voltou assim aos anúncios publitários e videos musicais, tendo regressado esta temporada com um filme no seu país natal e que adaptava a premiada novela assinada por Sofi Oksanen, que já foi editada em mais de 40 países, como Portugal – onde se encontra nas livrarias com o nome «A Purga».
No filme/livro seguimos Aliide Truu, uma idosa que vive alheada do mundo na sua casa num local despovoado. Uma noite, e do nada, Zara, uma jovem ferida, cansada e inconsciente, surge perto da sua casa, e embora Aiide ainda duvide se a ajuda ou não, lá acaba por acolhe-la. No início a relação das duas é na base da desconfiança, mas à medida que mais verdades são conhecidas sobre Zara, retrocedemos no tempo e conhecemos a juventude de Aiide (via flashbacks) e as implicações que a ocupação soviética na Estónia trouxeram para a sua vida, carregada de (des)amores, sofrimento, traições e (até) vinganças macabras.
Filmado muitas vezes num estilo demasiado convencional (e habitual quando se adapta livros os cinema), «Purge» acaba por ter o seu grande poder na história que conta, representando a adaptação cinematográfica um meio (neste caso) banal para o fazer, e não trazendo uma grande mais valia em relação à proposta literária.
Ainda assim, o cineasta e os atores – com interpretações seguras, embora por vezes demasiado conformados na forma demasiado comercial de contar as coisas – conseguem prender o espectador num novelo que enrodilha a história destas duas gerações de mulheres que, à sua maneira, têm de lidar com os sinais do tempo onde a repressão, seja comunista ou capitalista, e a violência, ainda imperam.
O Melhor: A ligação entre as duas mulheres e aquilo que as une, mesmo quando os tempos mudaram
O Pior: Não trás mais valias em relação ao livro
| Jorge Pereira |

