Viajando entre passado e presente e entre o real e o imaginário, «Ixjana» é um thriller psicológico e a derradeira proposta conjunta dos irmãos Skolimowski (filhos de Jerzy Skolimowski, o realizador de obras como «Essential Killing»). E dizemos última porque no ano passado, Jozef, o mais novo dos irmãos, faleceu.
Na obra, de contornos negros, seguimos Marek Newski (Sambor Czarnota), um escritor de sucesso que não consegue tirar da sua mente o que aconteceu a Artur (Borys Szyc), um amigo seu que desapareceu e que ele suspeita, apesar de não se lembrar, que possa ter assassinado.
O filme segue então a via da descoberta da verdade sobre os eventos da noite da qual não existem recordações, mas tudo é construído de uma maneira tão particular e num estilo de pesadelo acordado de contornos surreais (e também sobrenaturais), que a ação acaba por soar mais a presunção e pseudo-inteletualismo dos autores que outra coisa. Diversas imagens e situações (o baile, as orgias) remetem-nos para trabalhos como «Eyes Wide Shut», enquanto surgem em cena algumas personagens misteriosas que revelam uma tentativa de dar um olhar Lynchiano a duplas personalidades em cena, ainda que sem grande sucesso. Aliás, o filme submerge-se frequentemente em diversas referências cinematográficas e literárias (Fausto, por exemplo), mas sem que estas estejam em cena com um propósito assumido que não seja o dar a sensação de filme puzzle por decifrar à força e sem que haja uma verdadeira compensação emocional para o espectador.
Ainda assim, destaque para a cinematografia de Adam Sikora, e para o desempenho de Czarnota, um ator com alguns méritos na expressividade corporal (muito teatral, como todas as interpretações neste filme), que consegue criar uma boa ligação com a sua personagem, mesmo quando esta parece ser tão maltratada, ou mal conduzida pelo guião, que não sabe bem o que lhe fazer.
O Melhor: A cinematografia de Adam Sikora
O Pior: Quer ser mais do que é
| Jorge Pereira |

