A temática do fanatismo é explorada nos dois filmes escritos pelo realizador Zal Batmanglij e pela atriz Brit Marling. A sua primeira colaboração cinematográfica – o filme de 2011 «Sound of My Voice» – segue um jornalista e a sua namorada que são empurrados para um culto enquanto investigam o líder da seita, que afincadamente afirma que vem do futuro. Nesta segunda colaboração seguimos a história de Sarah (Marling), uma mulher que se infiltra num grupo anarquista denominado «The East». O certo é que aos poucos ela apaixona-se pelo líder, Benji (Alexander Skarsgard), e abraça a causa que ele defende.
O enredo pode ser similar a «Sound of my Voice», mas «The East» é um thriller de suspense de apelo bem mais comercial, principalmente pela causa que grupo de anarquistas defende – a retaliação (também conhecida como «Jams») contra indivíduos que trabalham para grandes corporações moralmente corrompidas que põem os lucros à frente dos princípios éticos. Quanto aos “bons da fita”, não é fácil estar do lado deles.
Sarah (Marling) é introduzida neste grupo através do seu novo emprego para a secretiva companhia Hiller/Brood. Ela abandona o namorado (Jason Ritter) para este trabalho de infiltrada, procurando reunir elementos do grupo no qual se integra. Inicialmente parece que «The East» é mesmo um culto, pois os seus membros – que incluem Izzy (Ellen Page) e Doc (Toby Kebbell) – praticam algumas ações quase na forma de um ritual, como tomar as refeições vestidos num colete de forças, darem banho uns aos outros num lago ou saltarem para dentro de contentores do lixo (Dump Diving) em busca de coisas que possam ainda ser utilizadas. Contudo, e aos poucos, fica claro a Sarah e ao público que assiste à fita que este grupo anarquista afinal é uma democracia que vive num estilo de vida freeganista (de boicote ao consumismo) e que a sua missão é movida por um sentido de justiça particular (pensem no movimento “Occupy Wall Street”).
À medida que Sara se envolve mais com o grupo e com a causa ela é forçada a repensar as suas próprias crenças e a mudança é inevitável. Ver a evolução de Sarah ao longo do filme trás ao espectador uma verdadeira mais valia e Brit Marling é a grande responsável por isso.
O Melhor: A prestação de Brit Marling
O Pior: O enredo não é original e faz lembrar um episódio da série de TV «Alias»
| Joanna Rudolph |

