«La Jubilada» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Fabiola Neira (Paola Lattus) é uma jovem que regressa à sua pequena cidade (Los Andes) após ter vivido muitos anos na capital, Santiago do Chile. Pelo que descobrimos ao longo do filme, esta é uma antiga atriz pornográfica que agora se «reformou» dessa profissão e procura num local apático recomeçar a sua vida. À sua volta encontramos o pai, uma pessoa que tal como tantas outras nesta obra parece conformada com as poucas perspectivas e pacatez do local. E embora não seja totalmente um amor de pessoa com a filha, a verdade é que não cortou de todo relações com ela. 

Já a irmã mais velha, que se manteve com a família quando Fabiola foi para a cidade, parece dar-se melhor com ela, ainda que se sinta um sentido critico no que toca a todas as decisões que a jovem toma, havendo a clara sensação de alguma inveja (por ter sido “obrigada” a perder a sua juventude pela família).

Assinado em 2011 por Jairo Boisier – que se estreou nas longas-metragens com este projeto – «La Jubilada» é um drama bastante humano e realista na forma como apresenta a sua protagonista a tentar seguir com a sua vida apesar de um passado que não a orgulha. Longe de ser um sex symbol, atraente ou sequer charmosa, Fabiola vai encontrar na figura de um rapaz de 16 anos, Tarantula (Hernando Lattus), uma espécie de amigo, mas essa amizade ainda lhe vai trazer mais problemas, vivendo muito o filme das conversas (com algum humor) entre os dois, em contraste com um pano de fundo de uma localidade parada no tempo. A forma como Boisier filma tudo, com planos estáticos, acrescenta muita dessa imobilidade à fita, que apesar de estar muito localizada no interior do Chile tem um contexto bastante universal, até porque já muitos de nós tivemos de refazer e recomeçar as nossas vidas em algum ponto dos nossos percursos.

Em suma, estamos perante uma obra muito simples mas segura, com alguma cabeça e coração, sem nunca cair num sentido demasiado cliché ou melodramático apesar de ser baseado numa história verídica.

O Melhor: A universalidade da temática

O Pior: A sua simplicidade limita em demasia o resultado final
 
 
 Jorge Pereira
 

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