«Avalon» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Os anos 80 ainda não acabaram para Janne (Johannes Brost), um homem recentemente libertado da obrigação de usar uma pulseira eletrónica por uma qualquer razão que desconhecemos. Os seus primeiros passos indicam que quer voltar à vida noturna como sócio de Klas (Peter Carlberg) numa discoteca nos subúrbios chamada «Avalon» (inspirado num êxito dos Roxy Music, que inevitavelmente faz parte da banda-sonora do filme). Foi Klaus que claramente financiou o projeto e tudo parece correr bem – ainda que com alguns problemas normais pelo meio. As filas acumulam-se e a noite é em grande. Tudo muda após uma noite de copos e quando Janne e a sua irmã, Jackie (Leonore Ekstrand), provocam um acidente que vitima um imigrante ilegal. Temendo o que isso podia provocar nas suas vidas e as implicações para o arranque do próprio clube, Klaus, Janne e Jackie decidem engendrar uma forma de ocultar o corpo, mentindo posteriormente à namorada do homem que assassinaram por negligência.

Axel Petersen, mais um realizador em estreia nas longas-metragens neste LEFF, antes de ser cineasta cresceu e chegou a trabalhar nos bares de Bastad, uma cidade costeira que atrai cerca de 15 mil pessoas durante o verão. Foi lá que encontrou inspiração para a obra e para as suas personagens (convidado mesmo a sua tia para o protagonismo), focando-se nos bon vivans decadentes que segundo o próprio gostam de controlar tudo (especialmente a lei) e que lutam contra uma nova geração com altivez e arrogância, impedindo a mudança.
 
Por isso, quem busca qualquer tipo de redenção por parte das detestáveis personagens – que curiosamente não chamaríamos abertamente de vilões – está equivocado. «Avalon» move-se pelo estudo das personagens a caminho da velhice – que se recusam a isso –  mas é contando sem que exista propriamente um rasto de culpa inerente ao seu modo de vida mimado e egoísta, e sem uma força carismática que nos absorva por completo a atenção. Falta assim pujança e pulso firme no resultado final da obra, ainda que Petersen demonstre força no seu cinema, especialmente no naturalismo inicial.
 
 
 
 Jorge Pereira

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