«L’intervallo» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Dois adolescentes, um prédio em Nápoles. Ela é Veronica (Francesca Riso), uma rapariga de 15 anos bastante refilona mantida em cativeiro até que chegue o responsável pela situação, o chefe da Camorra local. A guardá-la está Salvatore, apelidado de Toto (Alessio Gallo),um vendedor de granita siciliana (forma de sorvete local) com 17 anos que foi pressionado a executar a tarefa. No fundo, ambos estão contra a sua vontade nesta situação, havendo ainda assim uma ténue relação de “preso-policia” dadas as circunstâncias.

Construído de forma naturalista, aos poucos e poucos estas duas personagens vão-se conhecendo e mostrando um pouco mais de si. Há momentos, quando especialmente vagueiam pelo arvoredo na descoberta de um novo espaço (como se fossem crianças), em que nos lembramos de um outro dia de verão marcante: o de Giacomo em «L’estate di Giacomo». Porém, as semelhanças são apenas e só sensoriais, pois na verdade estamos perante histórias muito diferentes, ainda que a quebra de desconfianças, o início de confidências e a partilha de experiências até sejam comuns numa certa extensão. 

«L’intervallo» é assim um pequeno filme movido pelas suas personagens em descobertas pessoais. Um dos cinco argumentistas de «Gomorra», Maurizio Braucci, trabalhou no guião deste filme, e de forma clara essa temática está em foco, ainda que a junção de duas pessoas numa situação contrária ao que desejavam dê-lhe uma maior universalidade.

Assim, e concluindo, realce para os dois protagonistas. Se as suas personagens movimentam a obra, são eles o combustível que faz esta máquina trabalhar. Já no comando desta máquina está Leonardo Di Costanzo, um realizador habituado a trabalhar em documentários e que aqui apresenta uma ficção conseguida – ainda que sem demasiada força para grandes voos senão um périplo de festivais de cinemas internacional.
 
 
 Jorge Pereira
 

Últimas