Depois de ter começado a sua carreira como violinista e de ter estudado pintura, Ilian Metev experimentou o cinema, escolhendo o género documental como o seu cavalo de batalha e arma de observação crítica.
Em 2008, Metev teve algum sucesso com Goleshovo, uma curta documental sobre uma aldeia abandonada nas montanhas da Bulgária, mas já nesta época idealizava criar um filme sobre o colapso do sistema de emergência médica em Sofia, a capital da Bulgária, onde após a queda do regime comunista o número de ambulâncias desceu das 140 para 13. Sim, são 13 ambulâncias para 3 milhões de pessoas.
Porém, esta analise não poderia ser meramente política, mas focando-se nas pessoas que trabalham num sistema obsoleto de forma muito humana.
A partir daqui meteu mãos à obra, pediu autorização para poder filmar o seu trio de protagonistas numa cidade em urgência médica e lá começou, semana atrás de semana, a captar as imagens.
O resultado de horas e horas de filmagens é este Sofia’s Last Ambulance, um filme que acompanha em particular um médico, uma enfermeira e um condutor naquilo que seria o turno de uma noite. E embora existam muitos casos, dramas e doentes que se podiam seguir, a objetiva de Metev nunca larga os seus “três atores” principais, carimbando assim na obra um tom dramático e fortemente pessoal, ainda que pelas entrelinhas lance algumas farpas ao sistema de saúde búlgaro.
Assim, com emoção, dramatismo, introspecção, sem nunca perder o tom realista, Sofia’s Last Ambulance triunfa e consegue prender-nos num pequeno microcosmos composto por pessoas que sofrem enquanto lidam com o sofrimento alheio, representando muitas vezes a última réstia de esperança e a ténue linha que separa a vida da morte…
| Jorge Pereira |

