Mais do que uma história enciclopédica e genealógica ao mundo do cinema experimental, esta obra de Pip Chodorov – filho de um cineasta e produtor – cai na estória pessoal sem uma verdadeira necessidade de organização cronológica sobre diversos pioneiros do cinema avant-garde, onde se misturam imagens de arquivo e entrevistas com alguns trabalhos marcantes destes radicais livres, que muitas vezes estavam tão fora do mundo da arte como do cinema.
A verdade é que o início desta obra mostra logo o tom ligeiro, carinhoso e pessoal com que todo o projeto é tratado. Pelo ecrã vislumbramos um pequeno Chodorov num típico filme caseiro degradado, descolorado e com manchas. Nada de grave, pois no fundo foi só o cão de Chodorov que urinou na fita. O efeito é «cool» para o autor e serve de reflexão para o ambiente descontraído que se segue.
Assim se prossegue esta viagem de 82 minutos, passando o espectador pela observação do legado de Stan Brakhage, Robert Breer, Jonas Mekas, Ken Jacobs, Peter Kubelka, Stan Vanderbeek, e muitos outros, pedindo o autor emprestado o nome do trabalho de 1958 de Len Lye (Free Radicals) para este projeto, que o próprio admite ser apenas uma pequena introdução ao tema, sendo talvez esta a explicação para a maioria dos nomes que apresenta estarem demasiado centrados em Nova Iorque e nunca sair muito longe daí, nem que fosse para outras paragens dentro dos EUA.
De qualquer das maneiras, este é um trabalho curioso e que deve ser observado, mas tendo sempre em conta as suas limitações.
| Jorge Pereira |

