Cannes 2012: «Yeguas y Cotorras» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

A história de “Yeguas y Cotorras, segunda curta da argentina Natalia Garagiola, é de uma tripa amizade entre três raparigas: Delfina, Sofi e Jose, que se juntam no dia anterior ao casamento de uma delas numa mansão. A introdução destas personagens consegue definir bem os seus traços básicos de um ponto de vista que é primeiro visual e só depois dito: Delfina caça papagaios (!), pois não aguenta o ruído à sua volta (a sua espingarda vai fazer uma aparição mais tarde, escusado será dizer…); Sofi olha com ar de culpa ao espelho, pois traíu Delfina; Jose, grávida, encontra-se a apanhar sol, agindo aqui como uma intermediária entre as outras duas. 

Perante esta trama de amizades e enganos, com uma gravidez e um casamento à mistura, podemos dizer que, se há um aspeto bem positivo em “Yeguas y Cotorras”, é que nunca cai num registo “telenovelesco” simples. A realização e a fotografia, são, por si só, de uma qualidade superior. Pena que nada efectivamente aconteça aqui ao longo de meia hora – talvez nesse sentido, uma “simples” telenovela seja bem mais satisfatória. Sem uma resolução minimamente catártica, ou uma “punch line” qualquer, o espectador pode-se sentir um pouco enganado. Aqui, a sensação final que retirei foi a de curiosidade satisfeita perante a premissa lida previamente. Nada mais.   
 
 
 André Gonçalves
 

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