«El Premio» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Estreado em Berlim (2011) e premiado em inúmeros festivais de cinema sul americanos (IFF Guadalajara, IFF Lima, IFF Morelia), «El Premio» de Paula Markovitch é um dos filmes mais conseguidos do ano que passou, misturando uma história de infância baseada nas próprias memórias da autora, com o filme político e o drama de se viver numa ditadura militar.
 
Mas estes factos não são apresentados de mão beijada por Markovitch que aos poucos vai desvendando os contornos por trás de uma mãe e uma filha que se escondem numa casa de praia decadente. De que se escondem só aos poucos vamos descobrindo, centrando a nossa atenção na pequena Cecilia Edelstein (Paula Galinelli Hertzog), uma menina que vive escondida e isolada e que – como todas as crianças – quer ir à escola e ter amigos, não entendendo bem o que se passa à seu torno. O que sabe ela? Que os militares são maus e mataram o seu primo e é isso que ela escreve numa composição escolar – o que a colocará em perigo.
 
Com uma interpretação magistral de Hertzog, que tem uma expressividade fenomenal para a idade que tem, «El Premio» acompanha assim de forma exímia um dos períodos mais marcantes da história recente dos argentinos, conseguindo ao mesmo tempo mostrar o que é ser criança em circunstâncias que são de difícil compreensão. Para além disso, o filme mostra também o que é ser mãe num clima de verdadeiro terror político.
 
Destaque para o trabalho de som, para a cinematografia e a escolha do local das filmagens (San Clemente de Tuyu), que com a sua forma e jeito acentuam a desolação (quer física, quer emocional) das personagens.
 
 
 Jorge Pereira
 

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