Sessões na Cinemateca – Escolhas de 2 a 7 de novembro

(Fotos: Divulgação)

A retrospetiva que a Cinemateca Portuguesa organiza juntamente com a 13ª Festa do Cinema Italiano celebra o ano do centenário do nascimento de Federico Fellini, integrando todos os filmes deste cineasta, porventura um dos maiores nomes do Cinema. E como se esta celebração da sétima arte não bastasse, o outro grande ciclo do mês de novembro propõe a descoberta daqueles momentos de cinema que transcendem qualquer linha lógica, em que vinga a pura linguagem cinematográfica e se criam grandes mitos e cenas lendárias. Momentos que nos levam a exclamar “Só o Cinema”! De Griffith a Manoel de Olveira, passando por Bergman, Bresson, Mizoguchi e Akerman, novembro promete ser um dos meses mais recheados do ano.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 2 a 7 de novembro:

– Bigger Than Life (Atrás do Espelho, 1956) – Segunda-feira, 2 de novembro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. James Mason tem um dos papéis da sua vida neste filme sobre um homem cuja estabilidade social e familiar entra em desagregação devido à crescente dependência de medicamentos e drogas. Nicholas Ray (atrás da câmara) e Mason (que produziu o filme) compõem um admirável retrato de uma personagem atormentada num filme “muito maior que a vida”.

– I Vitelloni (Os Inúteis, 1953) – Terça-feira, 3 de novembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Este filme é uma projeção autobiográfica das memórias da juventude de Fellini, em Rimini. Numa indefinida cidade de província, um grupo de rapazes eternamente ociosos e imaturos (daí o título) preenche o vazio dos dias de farra em farra, de namorisco em namorisco. No fim, um deles (o alter ego do realizador) percebe que tem de sair dali e apanha um comboio para Roma. I Vitelloni foi a primeira obra em que o cineasta pendeu mais para a criação de um ambiente do que para uma narrativa una, o que caracterizou os seus filmes de maturidade. Este foi também o filme que fez de Alberto Sordi uma vedeta e consagrou Fellini, pois obteve o Leão de Prata no Festival de Veneza e foi o seu primeiro filme a ter distribuição internacional.

– La Strada (A Estrada, 1954) – Quarta-feira, 4 de novembro, 18h00*, Sala M. Félix Ribeiro. O filme conta a história da jovem Gelsomina que é vendida a Zampanò, um homem que se exibe em feiras de aldeia a rebentar correntes com o tórax. Ela exerce as funções de criada, assistente e mulher do homem, até que tenta fugir e tudo acaba tragicamente. La Strada obteve o Oscar de melhor filme estrangeiro, mas também causou acirrada polémica na Europa: a esquerda considerou-o “reacionário” e acusou Fellini de trair o neorrealismo, ao passo que as vozes oficiais católicas foram extremamente prudentes. Giulietta Masina, no papel central, tem uma das suas atuações mais emblemáticas. 

– A Torinói Ló (O Cavalo de Turim, 2011) – Quarta-feira, 4 de novembro, 20h00*, Sala M. Félix Ribeiro. O último filme de Béla Tarr, que com ele anunciou o fecho da sua obra como realizador de cinema. Remotamente inspirado num episódio sucedido com Nietzsche nos seus últimos dias em Turim, é uma espécie de fábula sobre o “fim do mundo” (um mundo que se “apaga”) e um grande filme – desde a abertura com o cavalo que puxa uma carroça – sobre o esforço e abnegação em face da adversidade.

– Le Notti di Cabiria (As Noites de Cabíria, 1957) – Quinta-feira, 5 de novembro, 20h00*, Sala M. Félix Ribeiro. Esta é uma crónica das aventuras e desventuras de uma prostituta romana que nunca perde a fé nos milagres divinos e no milagre do amor – é sempre vencida, mas não desiste. Cabíria, a mais chapliniana das criaturas de Fellini, misto de títere e personagem de melodrama, também é um dos mais célebres papéis de Giulietta Masina e aquele com que a atriz mais se identificou. A sua atuação é talvez das mais extraordinárias da História do cinema europeu. Selecionada para o Festival de Cannes, a obra recebeu o prémio de melhor intérprete feminina, “para Giulietta Masina, de Itália, e a sua personagem, com homenagem a Fellini”. Na segunda-feira, 9 de novembro, pelas 15h30 haverá uma segunda projeção.

– Khana-Ye Dust Kojast? (Onde Fica a Casa do Meu Amigo?, 1987) – Sábado, 7 de novembro, 15h00, Salão Foz. Leopardo de Bronze no Festival de Locarno, em 1989, o filme obteve extraordinário sucesso junto do público iraniano, e foi a obra que deu a conhecer internacionalmente Abbas Kiarostami. Homenagem ao poeta iraniano Soharabi Sepehri, cuja poesia epónima aparece logo no genérico inicial do filme, o filme conta de forma tocante a travessia angustiada do pequeno Ahmed entre as aldeias de Koker e Posteh para devolver ao amigo um caderno esquecido. Caderno esse essencial para que ele possa fazer os trabalhos de casa e não ser expulso da escola.

*Novo horário em conformidade com as diretrizes de combate à pandemia COVID-19 apresentadas pelo governo português, que decretam o encerramento dos equipamentos culturais às 22h30 a partir de dia 4 de novembro.

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