Inspirada pelo atual contexto que tanto mudou as vidas de todos nós, a rentrée da Cinemateca tem vindo a celebrar os reencontros e as nossas relações comunitárias com um ciclo adequadamente intitulado “E a Vida Continua”. Sob um calendário diferente do habitual adaptado às circunstâncias, a programação deste mês não retoma os ciclos que foram interrompidos em março, movendo-se antes por dois eixos temáticos que se interligam.
Por um lado, está a ser exibido um grupo de filmes atravessados pela própria ideia do regresso, ou do reencontro, e também da relação entre o individual e o coletivo, em particular de tudo o que constrói e mantém uma comunidade ou um sentido de comunidade. Por outro, através da evocação de um punhado de estrelas marcantes da galáxia do cinema, para os quais se perfaz este ano o centenário de nascimento – Gene Tierney, Montgomery Clift, Maureen O’Hara, Walter Matthau e Alberto Sordi –, tem-se feito uma viagem por um período alargado do cinema americano e europeu, percorrendo as épocas clássica e pós-clássica.
Estas são as nossas sugestões para a quarta semana de sessões em julho:
The Ghost and Mrs. Muir (O Fantasma Apaixonado, 1947) – 20 de julho, 22h00, Esplanada. Há quem o considere o mais belo filme do mundo. The Ghost and Mrs. Muir conta a mais estranha história de amor, que une uma jovem ao fantasma de um capitão da marinha, antigo proprietário da mansão que ela foi habitar. Amor a que será fiel durante toda a vida terrena e que se prolongará pela eternidade. Um par de eleição, Gene Tierney e Rex Harrison, num filme em estado de graça.
Red River (Rio Vermelho, 1948) – 21 de julho, 22h00, Esplanada. Um dos maiores westerns de sempre, Red River é simultaneamente a história de um confronto de vontades e uma aventura épica de homens e animais, ao longo de uma viagem pela pista de Chisholm. John Wayne envelhecido anuncia aqui os seus grandes papéis da maturidade, ao lado de Montgomery Clift, que se estreia no cinema para ganhar fama imediatamente.
The Fortune Cookie (Como Ganhar um Milhão, 1966) – 22 de julho, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Brilhante comédia por um dos mestres do género, este foi o filme que marcou o encontro da dupla Jack Lemmon/Walter Matthau. É também uma das obras mais cínicas de Billy Wilder, com Matthau na figura de um advogado sem escrúpulos que convence Lemmon a exagerar um acidente que sofrera, forçando o cúmplice a uma imobilidade inesperada, o que suscita inúmeros e impagáveis gags.
Una Vita Difficile (Uma Vida Difícil, 1961) – 22 de julho, 22h00, Esplanada. Uma das grandes obras-primas de Dino Risi, e um papel que por si só atestaria a genialidade de Alberto Sordi. No estilo agridoce, tragicómico, característico da “comédia à italiana”, Una Vita Difficile é um percurso pela história italiana do fim da Segunda Guerra à entrada nos anos sessenta, expondo as contradições dolorosas do “milagre económico”, centrado na personagem de Sordi, um intelectual comunista. Esta obra voltará a ser exibida a 30 de julho, às 19h00, na Sala M. Félix Ribeiro.

The Lusty Men (Idílio Selvagem, 1953) – 24 de julho, 22h00, Esplanada. The Lusty Men é uma espécie de western moderno, cuja ação é situada na época da rodagem. Nele, Robert Mitchum é uma ex-vedeta de rodeos, que inicia um cowboy nesta atividade e se vê atraído pela mulher deste. Um dos mais belos filmes de Nicholas Ray e um dos grandes papéis de Mitchum, na pele de um homem que tenta voltar ao passado, mas fracassa, pois “you can’t go home again”. A 31 de julho, pelas 19h00, na Sala M. Félix Ribeiro haverá uma segunda sessão do filme.
The Heiress (A Herdeira, 1949) – 25 de julho, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Adaptado de um livro de Henry James, The Heiress é um dos melhores filmes de William Wyler, à volta de uma mulher desprezada pelo homem que ama e que, por sua vez, o desprezará, quando herda a fortuna do pai e se vê de novo assediada por ele. A cena final, da porta fechada a que Montgomery Clift bate em vão, ficou famosa, como também os fabulosos interiores da mansão, como a escadaria percorrida por Olivia de Havilland. Ganhou Oscars para a intérprete principal, para a música de Aaron Copland, bem como para os figurinos e a cenografia.

