Inspirada pelo atual contexto que tanto mudou as vidas de todos nós, a rentrée da Cinemateca tem vindo a celebrar os reencontros e as nossas relações comunitárias com um ciclo adequadamente intitulado “E a Vida Continua”. Sob um calendário diferente do habitual adaptado às circunstâncias, a programação deste mês não retoma os ciclos que foram interrompidos em março, movendo-se antes por dois eixos temáticos que se interligam.
Por um lado, está a ser exibido um grupo de filmes atravessados pela própria ideia do regresso, ou do reencontro, e também da relação entre o individual e o coletivo, em particular de tudo o que constrói e mantém uma comunidade ou um sentido de comunidade. Por outro, através da evocação de um punhado de estrelas marcantes da galáxia do cinema, para os quais se perfaz este ano o centenário de nascimento – Gene Tierney, Montgomery Clift, Maureen O’Hara, Walter Matthau e Alberto Sordi –, tem-se feito uma viagem por um período alargado do cinema americano e europeu, percorrendo as épocas clássica e pós-clássica.
Estas são as nossas sugestões para a terceira semana de sessões em julho:
Spartacus (1960) – 13 de julho, 18h00, Sala M. Félix Ribeiro. Adaptação de um livro de Howard Fast que conta a odisseia de Spartacus, chefe de uma revolta contra o Império Romano. Destaque para as composições de Kirk Douglas no papel titular, de Laurence Olivier, como senador Crasso, que persegue Spartacus com as suas legiões, de Charles Laughton e de Peter Ustinov (Oscar de melhor ator secundário, uma das quatro estatuetas conquistadas pelo filme). Um dos grandes épicos de Stanley Kubrick.
The Fortune Cookie (Como Ganhar um Milhão, 1966) – 13 de julho, 22h00, Esplanada. Brilhante comédia por um dos mestres do género, este foi o filme que marcou o encontro da dupla Jack Lemmon/Walter Matthau. É também uma das obras mais cínicas de Billy Wilder, com Matthau na figura de um advogado sem escrúpulos que convence Lemmon a exagerar um acidente que sofrera, forçando o cúmplice a uma imobilidade inesperada, o que suscita inúmeros e impagáveis gags. Poderemos voltar a ver o filme a 22 de julho, pelas 19h00, na Sala M. Félix Ribeiro.
Wild River (Quando o Rio se Enfurece, 1960) – 14 de julho, 22h00, Esplanada. “Este filme devia simplesmente contar a minha história de amor com o New Deal, a minha história de amor com as regiões mais remotas deste país. Eu queria dizer como os amava e como os admirava”, conta Elia Kazan numa entrevista. O realizador parte de um conflito muito usado: a chegada do homem novo a uma sociedade que, antiga, lhe resiste. Muitos westerns se baseiam nisso. Mas esta é uma epopeia moderna e dolorosa de um homem problemático, interpretado por Montgomery Clift.

From Here to Eternity (Até à Eternidade, 1953) – 16 de julho, 22h00, Esplanada. Baseado num best-seller cuja crueza foi atenuada no cinema, situado num quartel americano de Pearl Harbor pouco antes do ataque japonês, From Here to Eternity é menos um filme de guerra (apesar de algumas magníficas sequências com combates reais) do que um estudo sobre as frustrações sexuais dos protagonistas. O filme que estabeleceu Sinatra como um verdadeiro ator e lhe deu o Oscar de melhor ator secundário, enquanto Donna Reed conquistava o de atriz secundária e Montgomery Clift dava uma lição do “Método”.
La Vie de Bohéme (1992) – 18 de julho, 22h00, Esplanada. Motivos clássicos não faltam no cinema de Aki Kaurismäki, normalmente revistos à luz de um qualquer twist mais ou menos irónico. Assim acontece nesta obra, que retoma o texto de Henri Murger, que servira para uma célebre ópera de Puccini, contando uma história contemporânea que junta artistas na miséria e imigrantes sem documentos em Paris. Uma belíssima demonstração do idealismo kaurismakiano, sempre encontrado entre a dureza da realidade e a fantasia romântica que se lhe vem sobrepor. O filme voltará a ser exibido a 28 de julho, às 19h00, na Sala M. Félix Ribeiro.
Moonrise Kingdom (2012) – 18 de julho, 15h00, Salão Foz. Coescrita com Roman Coppola, a sétima longa-metragem de Wes Anderson põe as suas personagens numa ilha da costa de Nova Inglaterra nos anos 1960 e segue dois estranhos miúdos que se apaixonam e decidem fugir juntos, levando famílias e autoridades a seguir no seu encalço. Com uma trupe de notáveis – Bruce Willis, Edward Norton, Tilda Swinton, Bill Murray, Frances McDormand –, Anderson constrói aqui mais um dos seus maravilhosos mundos bizarros.

