Sessões na Cinemateca – Escolhas de 8 a 13 de novembro

(Fotos: Divulgação)

Siamo Donne” (à letra, “somos mulheres”) é o nome do ciclo coorganizado pela Cinemateca e pela Festa do Cinema Italiano, este ano na sua 14ª edição, que tem lugar este mês de novembro. O programa conta com 22 títulos e traça uma genealogia das divas do cinema italiano, percorrendo cerca de 100 anos dessa cinematografia ao sabor dos nomes das suas atrizes mais consagradas, capazes de disputar a primazia do público com as grandes vedetas americanas ou francesas das mesmas épocas. Para celebrar estas afamadas intérpretes, percorreremos a evolução desta classe especial de atrizes desde as primeiras divas do mudo até às estrelas de décadas mais próximas de nós, passando pelas vedetas da “idade de ouro“ do cinema italiano dos anos de 1950 a 1970.

Ao mesmo tempo, o ciclo “Disponíveis para o Noir” retoma outro programa, apresentado em junho deste ano, intitulado “No Coração do Noir”, que se concentrava no fulcro do cinema clássico de Hollywood dos anos 1940 e 50. O que agora a Cinemateca propõe é uma viagem cronologicamente balizada entre 1947 e 1967 por um núcleo de títulos atraídos pelo noir nas cinematografias francesa, britânica e japonesa, que estiveram particularmente atentas ao subtexto e ao estilo de Hollywood.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 8 a 13 de novembro:

The Third Man (O Terceiro Homem, 1949) – Segunda-feira, 8 de novembro, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro // Quinta-feira, 11 de novembro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. Escrito por Graham Greene, filmado em Viena com a fotografia contrastada, oblíqua e distorcida de Robert Krasker, indissociável da música de Anton Karas, este filme de Carol Reed protagonizado por Joseph Cotten e marcado pela participação de Orson Welles tornou-se uma obra lendária. A atmosfera de sombras vive do ambiente do pós-guerra, centrando-se numa história de desorientação na cidade que serve de palco a um labirinto de corrupção, enganos e traições.

Night and the City (Foragidos da Noite, 1950) – Terça-feira, 9 de novembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro // Sexta-feira, 12 de novembro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. Jules Dassin, proeminente realizador americano do pós-guerra, acabou por ser blacklisted em Hollywood, o que o pôs no caminho da Europa, onde viria a filmar durante décadas. Night and the City é a sua única experiência britânica e para muitos a sua obra-prima. Trata-se de uma esplêndida infusão do noir americano numa sórdida Londres de falsários, a partir do romance de Gerald Kersh. No papel de um delirante e desesperado loser num beco sem saída, Richard Widmark é excecional ao lado da sempre única Gene Tierney. E Londres, onde se perdem, é aqui a imagem da cidade noir infetada de morte.

Touchez Pas au Grisbi (O Último Golpe, 1953) – Terça-feira, 9 de novembro, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro // Sexta-feira, 12 de novembro, 20h00, Sala Luís de Pina. Jacques Becker assinou neste filme um dos melhores noirs franceses, um filme cujo verdadeiro tema é o envelhecimento e a amizade. É um clássico baseado no romance de Albert Simonin, que reavivou a carreira de Jean Gabin no pós-guerra, ofereceu o primeiro papel a Lino Ventura, e fixou uma das jovens personagens de Jeanne Moreau. Gabin é Max le menteur, um popular e respeitado gangster parisiense a pensar na reforma depois de um último grande golpe, plano boicotado por uma rivalidade de bandos que o obrigará a escolher entre a lealdade a um amigo e o saque em ouro. A elegância e a sobriedade de Becker servem a violência da intriga criminal.

Du Rififi Chez les Hommes (Rififi, 1954) – Quarta-feira, 10 de novembro, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro. Primeiro título da fase francesa de Jules Dassin, Rififi é o seu filme mais popular. Foi distinguido em Cannes (melhor realização), teve uma receção calorosa, e é um título influente dos anos 1950 franceses. No rasto noir do cinema americano de Dassin, adapta um romance de Auguste Le Breton, com Jean Servais no papel de um bandido envelhecido, chefe do gangue solidário que assalta uma ourivesaria numa sequência exemplar, longa e silenciosa, uma lição de cinema. A aspereza sóbria da narrativa, a tonalidade cinzenta da fotografia, o aproveitamento dos cenários naturais de Paris são elementos decisivos do filme. Haverá uma segunda sessão na segunda-feira, 15 de novembro, às 15h30, na Sala M. Félix Ribeiro.

Ascenseur Pour L’Échafaud (Fim-de-Semana no Ascensor, 1957) – Quinta-feira, 11 de novembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. A estreia de Louis Malle na longa-metragem de ficção consagrou-se como um filme indiciante da Nouvelle Vague mas ainda na linha criminal do cinema francês dos anos 1950 que revisitava o cânone noir americano. A ação concentra-se em 24 horas, os protagonistas nunca se encontram, a intriga destila um ambiente noir, desesperado e ambíguo, que muito deve à música de Miles Davis e à interpretação impassível de Jeanne Moreau. Moreau e Maurice Ronet interpretam o casal de amantes que planeou matar o marido dela, vendo-se o homem bloqueado num elevador quando tenta regressar ao local do crime para apagar um indício comprometedor, enquanto ela deambula pela noite parisiense e outros incidentes se precipitam. O filme poderá ser visto também dia 22 de novembro, segunda-feira, pelas 20h00 na Sala Luís de Pina.

Bellissima (Belíssima, 1951) – Sábado, 13 de novembro, 20h00, Sala Luís de Pina. Anna Magnani, sob a direção de Luchino Visconti, é a estrela desta que é a única sátira da obra cinematográfica do realizador. O filme é uma reflexão sobre a fábrica de sonhos e ilusões que é a profissão do cinema, e não lhe poupa críticas. O pano de fundo é a “busca de talentos” para a realização de um filme, e conta a história dos sacrifícios e das artimanhas de uma mulher para que a sua filha seja escolhida. Magnani demonstra a sua grandeza de espírito, e Visconti filma uma peça neorrealista com um toque humorístico, numa combinação inesperada mas bem conseguida. Na quinta-feira, 25 de novembro, o filme voltará a ser exibido pelas 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro.

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