Bouli Lanners, uma força da natureza do cinema belga

O mais recente filme de Bouli Laners, "Nobody Has to Know" (Um Amor na Escócia), estreia nos cinemas a 7 de setembro

(Fotos: Divulgação)

Com uma vasta carreira como ator (perto de cem créditos, a maioria na 7ª arte) e já 5 longas-metragens realizadas, Bouli Lanners é uma verdadeira instituição no seio do cinema belga. Se muitos o conhecemos por presenças constantes nos filmes de Benoît Delépine e Gustave Kervern (Aaltra; Apaga o Histórico; Mamute), vale a pena recordar que ele também já trabalhou com cineastas como Jean-Pierre Jeunet (Um Longo Domingo de Noivado), Dany Boon (Nada a Declarar), Valérie Donzelli (Notre Dame) Albert Dupontel (Gravidez… de alto risco; Adieu Le Cons).

Ai Alentejo, Alentejo”, diz-nos quando somos apresentados a ele. “Quis ter uma casa no Alentejo, mas a minha mulher disse eu era parvo em querer uma casa de campo a 3 mil km de onde habito normalmente”, confessa-nos entre sorrisos.

O motivo da entrevista foi a sua presença no BRIFF (Festival Internacional de Cinema de Bruxelas), em 2021. Foi no Hotel Plaza, em Bruxelas, que nos encontrámos com ele.

Com a extensa carreira que tem, como é que o Bouli escolhe hoje em dia os papéis que interpreta no cinema?

Antes, quando és jovem, escolhes fazer um filme porque queres ganhar dinheiro (risos). Depois do dinheiro estar no bolso e da casa estar paga começamos a selecionar os papéis que queremos fazer. Hoje em dia ou faço filmes com amigos, ou com conhecidos porque sei que vou reencontrá-los e vai ser divertido, ou então escolho filmes porque sei que o/a realizador/a é alguém sério e exigente. Alguém que vai me levar a fazer coisas que nunca fiz antes. É isso que procuro fazer hoje em dia. Coisas diferentes, sejam séries, como o “Hipocrate”, ou filmes como o “Notre Dame”, ou o próximo do Dominik Moll, que é alguém sempre muito exigente. E mesmo que nas filmagens seja duro, o resultado final, artisticamente, é muito interessante.

O Bouli é ator e também realizador. Existe uma separação dos dois trabalhos? Por exemplo, aqui é ator para outro realizador.

Quando estou num filme como ator afasto completamente o realizador que existe em mim. Claro que antes de me tornar realizador eu observava muito o trabalho dos cineastas. Não estudei em qualquer escola, tornei-me realizador a partir da experiência de ator. Atualmente estou em palco apenas como ator e não me importo com a Mise-en-scène. Deixo-me ser guiado. E faço isto bem, pois quando és realizador tens de gerir tudo: a escrita, o financiamento, o casting e até o stress e tensão entre alguns atores. Como ator ponho-me à disposição de alguém e dedico-me à minha personagem e nada mais. 

lo que escreveu.

Como realizador, é alguém meticuloso a respeitar o texto do guião?

Depende. Quando filmo com crianças, como foi com osLes Geants“, havia momentos em que tinham de respeitar muito o guião e outros em que os deixava andar. Aquilo que lhes dizia era que se se esquecessem do texto, mantenham-se na personagem, não se tratem pelos vossos nomes, mas pelos das personagens. Mesmo que as coisas derrapagem, mantenham-se na vossa personagem. E consegui com isso momentos excecionais…

Mas deve ter sido difícil trabalhar com crianças, não?

Fatigante (risos). 

Tem um novo filme como realizador, o “Nobody Has to Know” (Um Amor na Escócia). Pode falar um pouco sobre ele?

Sim, filmei-o na Escócia em inglês. É uma história de amor, uma verdadeira história de amor. E escrevi-o também. É uma história de amor entre uma mulher que tem sessenta anos que habita numa pequena vila presbiteriana que é muito rígida e um tipo de cinquenta anos que trabalha com eles e tem amnésia. Ela usa essa amnésia para convencer que eles estavam juntos antes. É uma história de amor até pelo menos recuperar a memória. Há muito tempo que queria escrever algo mais clássico, um romance, daqueles em que choramos no final (risos). 

Há pouco falou na forma como escolhe os filmes em que participa como ator. E como é essa escolha como realizador?

Neste caso, há mais de vinte anos que queria filmar na Escócia. Estava a ouvir uma música, que aparece no filme, quando decidi fazer esta história de amor. Escrevi, escrevi e escrevi.

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