Um trio suprapartidário de senadores norte americanos – que incluem os proeminentes democratas Dianne Feinstein e Carl Levin, e o ex-candidato presidencial republicano John McCain – escreveu uma mensagem ao CEO da Sony, Michael Lynton, criticando a veracidade dos factos apresentados em «Zero Dark Thirty» (00:30 Hora Negra), o mais recente filme de Kathryn Bigelow que acompanha a caça e assassinato de Osama Bin Laden.
Segundo o grupo, o filme apresenta factos «grosseiramente imprecisos», especialmente na sugestão que foi através da tortura [por afogamento] que os militares americanos chegaram à dica final que levaria a descobrir o paradeiro de Bin Laden. Por isto mesmo, o trio adianta que a Sony tinha a obrigação de adicionar um aviso no filme, que curiosamente abre com a declaração de que a obra é ‘baseada em relatos em primeira mão dos eventos. “
«Nós somos fãs de muitos dos seus filmes e entendemos o papel especial que eles desempenham nas nossas vidas, mas o problema fundamental é que as pessoas que vêem “00:30 Hora Negra” vão acreditar que os eventos nele presentes são factos», escrevem os senadores, acrescentando que a obra vai «influenciar a opinião pública norte-americana de uma forma perturbadora e enganosa» e repescar o uso da tortura como «uma mancha na nossa consciência nacional».
Carl Levin, Dianne Feinstein, John McCain
Kathryn Bigelow e o argumentista Mark Boal já reagiram, e num comunicado da Sony adiantam que apenas mostraram «uma variedade de práticas controversas e métodos de investigação que foram utilizados em nome da caça a Bin Laden», não mostrando qual o método específico que conduziu ao sucesso da missão.
Vale a pena recordar que «00:30 Hora Negra» tem gerado constantemente polémica desde que Bigelow começou a reformular o projeto após a morte de Bin Laden. Originalmente o filme iria estrear a 12 de outubro, ou seja antes das eleições norte-americanas (no início de novembro). Como a morte de Bin Laden foi um «feito» da administração de Barack Obama, os republicanos sempre foram muito cépticos em relação ao que o filme iria apresentar e a que tipo de informação confidencial a realizadora e o argumentista acederam. O primeiro a manifestar a sua preocupação foi o congressista republicano Peter King, que emitiu um comunicado onde exigia uma investigação à aparente cooperação entre a administração democrata de Barack Obama e os produtores da obra, sugerindo mesmo que possa ter sido passada informação sensível e confidencial que põe em risco a informação da operação mais mediática da década. Na carta, o congressista afirmou que uma das fontes do sucesso da operação militar foi o facto de não se ter falado antes dela ocorrer antes, e que o mesmo deve suceder após os eventos.
Osama Bon Laden e Kathryn Bigelow
Naturalmente a Casa Branca negou qualquer favorecimento aos produtores e que tenha sido passada informação secreta ou demasiado sensível sobre a questão.
Na mesma linha surgiram as declarações dos produtores da obra que dizem que o filme já está a ser preparado há anos e que não focará a «conquista» de Obama, mas abordaria o trabalho executado pelas diferentes administrações (Clinton, Bush, Obama) na captura de Osama Bin Laden.
A verdade é que para escapar a estas polémicas, o filme decidiu apenas estrear no fim do ano (19 de dezembro), sendo atualmente um dos principais candidatos na próxima edição dos Óscares.
«00:30 Hora Negra» chega aos cinemas portugueses a 17 de janeiro e conta no elenco com Jessica Chastain, Jason Clarke, Joel Edgerton, Jennifer Ehle, Mark Strong, Kyle Chandler e Edgar Ramirez.

