Pedofilia; WikiLeaks; Lance Armstrong e Fela Kuti: as arrojadas temáticas dos novos projetos de Alex Gibney

(Fotos: Divulgação)

No mundo do cinema documental, o nome Alex Gibney não deixa ninguém indiferente. Focado em retratar alguns dos temas mais controversos da nossa atualidade, é um dos nomes fortes desta corrente cinematográfica que nos últimos anos tem estado em crescendo. Depois de projetos como: «Taxi to the Dark Side» (vencedor do óscar de melhor documentário em 2007); «Enron: The Smartest Guys in the Room» (nomeado para o Óscar em 2005) e «Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer»; este seu gosto especial continua bastante presente, como podemos verificar pelas palavras do mesmo na sua mais recente entrevista cortesia da revista Screen International. 
 
Um dos principais focos desta entrevista é «Mea Maxima Culpa: Silence in the House of God», o mais recente filme do cineasta, que no passado dia 21 foi galardoado com o premio de Melhor Documentário no London Film Festival.
 
 
 
Centrado nos recentes escândalos de pedofilia perpetrados por elementos da Igreja Católica, a narrativa segue o rasto desta problemática. Criado numa família católica, Gibney não esconde que esse é um dos fatores que mais o motiva em explorar este tema. Inspirado por uma notícia publicada no jornal New York Times, foi o facto de este crime poder ser seguido até ao topo da hierarquia que o fascinou. Esta ligação obrigou o cineasta a procurar respostas não só a nível local mas sim ao nível dos mais altos responsáveis da Igreja, rejeitando a ideia de que estes se tratam de casos isolado. As vítimas de Milwaukee são o ponto de partida de «Mea Culpa Maxima», não por estes serem as primeiras a sofrer os abusos mas por terem sido os primeiros a apresentar em público as suas acusações. Gibney refere que esta foi a possibilidade de dar voz a estas pessoas que travam uma luta por justiça, que já dura a mais de 40 anos. Quando questionado sobre quais as surpresas encontradas no decorrer das filmagens deste documentário, Gibney responde que “as coisas foram aparecendo enquanto progredíamos. Encontramos coisas que nunca esperamos encontrar”, refletindo em grande parte o quão imprevisível pode ser o trabalho de pesquisa e investigação num documentário desta envergadura. Escusado será dizer que no desenvolvimento de um projeto que aborda um tema tão controverso como este, nem todos estão disponíveis para ajudar. Este foi o caso da Igreja Católica que em nada foi recetiva a esta ideia, apesar de algumas figuras individuais cooperarem. Mais focados em bloquear a resolução destes escândalos, do que ajudar as vitimas a obterem justiça, Gibney refere que a Igreja assumiu uma posição de salvaguarda da sua integridade, como pode ser observado pelo facto de terem gasto mais de 7 milhões de dólares (apenas no caso de Milwaukee) para que o tribunal seja prevenido de aceder aos seus documentos privados.
 
http://www.youtube.com/watch?v=OSstCtWl54w 
 
Apesar do foco em «Mea Maxima Culpa: Silence in the House of God», o documentarista fala também dos seus projetos futuros, divulgando que neste momento tem quatro em fase de pós-produção, baseados em temas tão diferentes como: Lance Armstrong; Wikileaks; Fela Kuti; e a banda The Eagles. Porventura por ser o tópico mais atual esta parte da entrevista foca-se no documentário centrado no lendário ciclista norte-americano que recentemente se viu envolvido numa investigação que o destituiu de todas as vitórias alcançadas durante a sua carreira. Gibney faz uma alusão à forma como estes recentes desenvolvimentos obrigaram a uma restruturação e a uma nova fase de edição do filme sobre Lance Armstrong, que se encontrava praticamente concluído. Em relação aos restantes projetos, o documentarista é bastante sucinto referindo apenas que o projeto focado na organização Wikileads está quase terminado e que o documentário sobre Fela Kuti está neste momento a ser editado, enquanto algumas filmagens ainda se encontram em desenvolvimento. 
 

Lance  Armstrong

Esta foi então uma entrevista recheada de informação referente aos projetos deste homem forte do documentário. Este é sem dúvida um formato que sem tem vindo a desenvolver e a ganhar adeptos e quando questionado sobre este fenómeno, Alex Gibney explica porquê: “Os documentários melhoraram. Libertaram-se do formato tradicional de reportagem televisiva, e da voz-off. Agora inovam em termos de formato e apresentam histórias que são mais estranhas que ficção e personagens ricas e cheias de vida”.

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