Até para os menos atentos, é notória a tendência atual dos grandes estúdios de Hollywood. Quer seja através de reboots ou sequelas, a aposta em projetos já experimentados e com provas dadas junto das audiências é um marco desta era do cinema e pelas recentes divulgações está para continuar.
Depois do anúncio da Universal, que pela voz do seu CEO Steve Burke revelou que a estratégia da empresa passaria pelo investimento no desenvolvimento de franquias, avançando com o desenvolvimento de sequelas dos filmes «TED» e «Legado de Bourne», foi agora a vez da Paramount Pictures confirmar também esta tendência.
O anúncio foi feito durante a Goldman Sachs Annual Communacopia Conference, pelo CEO da Viacom (empresa detentora da Paramount) Philippe Dauman: “Nós reduzimos o número de lançamentos para cerca de 15 por ano e colocamos o foco nas franquias já existentes, no desenvolvimento de novas franquias, e no desenvolvimento das nossas marcas».
Esta revelação chega depois de um ano de 2012 menos conseguido pela Paramount, que prefere agora controlar e garantir a sua rentabilidade através da aposta num menor número de projetos mas mais seguros do ponto de vista do retorno financeiro. Foi com este intuito que Phillippe Dauman revelou também uma das primeiras apostas deste novo esquema: «Jack Reacher». Apesar de a sua estreia só estar marcada para finais de dezembro, Dauman confirmou que “espera criar uma nova franquia” com este filme que conta com Tom Cruise no principal papel. Adaptado dos livros de Lee Child, a Paramount pretende que o recurso ao famoso ator permita a “Jack Reacher” alcançar um estatuto e sucesso semelhante a “Missão Impossível“.
«Jack Reacher»
Relevante também foi o divulgação dos planos para uma outra franquia, com o desenvolvimento de um reboot com base na personagem Jack Ryan, que depois de ter sido interpretada por Alec Baldwin («Caça ao outubro Vermelho»), Harrison Ford ( «Jogos de Poder» e «Perigo Imediato») e por Ben Aflleck («A Soma de Todos os Medos»), terá agora Chris Pine a dar nova vida ao agente da CIA. No decorrer da conferência, Phillippe Dauman revelou também que estão a ser desenvolvidas sequelas para filmes como «Star Trek», «G.I. Joe» e «Transformers», e também, em fase mais embrionária, uma nova versão de «As Tartarugas Ninjas».
Foi então uma conferencia que deixa sentimentos bem distintos nos amantes da sétima arte: se por um lado revela muitas novidades no que toca a projetos em desenvolvimento, por outro deixa a sensação de que o que ai vem é mais do mesmo. Este recurso a formulas já experimentadas não é novidade alguma, e parece ser unânime entre os responsáveis dos grandes estúdios de Hollywood que este é o caminho a seguir. O cinema apesar do seu estatuto como arte rege-se segundo as leis do mercado e no panorama atual, correr riscos parece não ser o mais aconselhado. Apesar desse facto, sacrificar o espaço para a criatividade no desenvolvimento de novos projetos pode também trazer as suas consequências, pelo que resta esperar pela resposta das audiências para saber os resultados desta estratégia.

